Ideias de Chirico

Em lembrança do pintor surrealista greco-italiano Giorgio de Chirico (1888 – 1978), o maior ilustrador de ideias de jerico ― e de Chirico!

Ou: “a escuta podcastal: um dossiê”

Este não é um tutorial de como ouvir podcasts. Isso vocês já sabem: baixa-se um agregador qualquer (eu utilizo o AntennaPod) e segue-se algum programa a partir de uma pesquisa; quando este publicar um novo episódio, se receberá uma notificação e se o reproduzirá ou não.

O que quero falar nesta crônica é sobre uma “pragmática podcastal”, os modos com os quais ouço os queridos programas de áudio.

Ao contrário do texto, o áudio não tem uma recepção previsível. Isto é, ao escrever um texto, sei como o leitor o fruirá ― através da tela de um dispositivo eletrônico móvel (telefone, computador, leitor digital ― Kindle, Kobo, etc.), talvez a partir de um impresso (caso tenha uma impressora, por exemplo); este leitor estará estático ― seja sentado, deitado ou, raras vezes, de pé; talvez com a atenção plena, talvez com breves lapsos de desatenção causada por um pensamento que o texto provocou, por algum barulho que o gato fez, por uma notificação que de algum dispositivo soou...

O mesmo não acontece com o áudio.

Por conta do áudio, permite-se estar em segundo plano, flexibiliza a recepção da informação; acho, pois, que é necessário algo como um “design sonoro” ou “design sonoplástico”, considerando as possibilidades de escuta do programa. A fim de auxiliar estudos nessa área vindoura, aqui vão os modos como escuto podcasts:

1) sentado em ônibus, com fones de ouvidos ― a “base”, uma “posição neutra”, um “grau zero da escuta”, na qual em geral se começa a ouvir os programas e na qual se pode ouvir quaisquer programas de áudio; nesta posição pode se ouvir de tudo, desde noticiário até storytelling; pessoalmente, onde tudo começou, o ponto no qual percebi que o podcast se tornaria uma necessidade básica como água e eletricidade; a propósito, quando eu escutava o infernal “Medo e Delírio em Brasília”, era somente sentado em um banco de ônibus com fones de ouvidos que eu conseguia compreender alguma coisa; o banco de ônibus é tipo de “sinagoga dos podcasts”;

2) lavando louça, com amplificação via Bluetooth; uma posição robusta, que comporta muitas possibilidades; prevista, porém aparentemente pouco considerada, já que algumas vozes e vírgulas sonoras não podem ser ouvidas plenamente por conta da água corrente e do tilintar das panelas ― vozes tenores, como a de Matias Pinto do Xadrez Verbal, ficam em desvantagem nesta posição auditiva; há variações como 2.1) lavando louça, com fones de ouvidos; e 2.2) lavando louça, a partir do alto-falante do telefone ― que requeririam uma atenção especial de sonoplastia;

3) cozinhando, com amplificação via Bluetooth; aqui é que o bicho pega, aqui que a arte do design sonoro deveria entrar em cena; apesar de haver uma certa estabilidade do ouvinte ― afinal, seu único movimento é de em média dois metros, entre a geladeira e o fogão ―, os utensílios domésticos tilintam em demasia; nessa atividade há uma estranha dinâmica de “pianos” e “fortes”, com momentos de calmaria, como quando a água está fervendo na panela, intercalados com momentos de cacofonia e ruídos intermitentes, como quando o óleo quente recebe a tal “mistura”; nenhuma voz, vírgula, música ou qualquer outro som grosso suporta a um tonitruante ssssSSSSSHHHHHHHHHHhhhhh;

4) escovando os dentes, a partir dos alto-falantes do telefone; à frente da posição “escutando no ônibus com fones de ouvido”, esta é aquela na qual sinto mais plenitude mental ― ou “mentitude” (para não utilizar o irascível mindfulness) ―, nesta atividade acústica ou em qualquer outra de quaisquer outros tipos; ao contrário de seu predecessor “escutando no ônibus com fones de ouvidos”, quando se escuta um episódio de podcast no banheiro durante a escovação, nada de mau pode acontecer; o movimento de escovação dentária é algo como um estímulo à atenção auditiva, é uma espécie de mantra tátil-acústico; um metassigno ― limpa-se os dentes ao tempo em que se limpa a mente (um “paramorfismo”, em termos de Semiótica); ao meu ver, todo programa de áudio deveria ser desenhado para que fosse otimizado nesta ocasião; parafraseando Junichiro Tanizaki, foi nos momentos de escuta simultânea à escovação dentária que os poetas fizeram seus melhores poemas...; ouvir programas como Manual do Usuário, com a suave voz de Rodrigo Ghedin, ao tempo que se escovam os dentes, é análogo à prática da meditação; variações como “escovando os dentes com fones de ouvidos” não surtem o mesmo efeito de mentitude, uma vez que o som da escova compete com o do áudio ― o crânio, como boa caixa acústica que é, amplifica o ruído de suas cerdas ―; dessa forma, dessacraliza-se este que é um modelo de receptividade acústica, uma “posição de lótus” do ouvinte; como nada é perfeito, por conta do curto período da higiene bucal, não é possível usufruir de muitos episódios nesta posição ― mas, estendendo a escovação, quão brancos meus dentes ficaram desde que comecei a ouvir podcasts depois de terminar o almoço...;

5) caminhando, com fones de ouvidos; postura extremamente superestimada, uma vez que o “podespectador” tem de lidar com toda sorte de intempéries e ruídos externos; por exemplo, na posição pré-sentado-no-ônibus-com-fones-de-ouvidos, isto é, quando se está prestes a pegar a condução, o ouvinte é incapaz de se ater a quaisquer palavras ditas que sejam; tudo se trata de não perder o transporte, passar na catraca e sentar o mais rápido possível, com a chance de permanecer de pé a viagem inteira;

6) deitado na cama, via alto-falantes do telefone; outro modelo bem estabelecido; algumas aplicações de podcasts (como o supracitado AntennaPod) otimizam-no com recurso temporizador agendado, a partir do qual, em determinada hora, o episódio é pausado após um determinado tempo ― ideal para quem escuta antes de dormir; inclusive, alguns podcasts, como o famigerado “Ser Sonoro”, foram desenhados especificamente para serem escutados única e exclusivamente na cama, antes de dormir.

Quem dera se todo programa de áudio aplicasse um UX listen design dessa forma!

#cotidiano


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Imagem de um homem vestindo terno com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Como é de hábito, sempre que publico um textão, costuro algumas notas.

Para quem ficou interessado pelo Manifesto Offpunk: sim, o escrevi todo em português, mas publiquei em inglês para dar-lhe um maior alcance. Logo mais publicarei a versão original, e mês que vem, se tudo der certo, sai também uma versão em francês, traduzida pelo @ploum@mamot.fr.

Primeira experiência com newsletter

Subscrevi a uma newsletter pela primeira vez. Substack, para variar. Costumava seguir algumas dessas revistinhas por RSS, mas a integração com o protocolo é ridícula, sempre quebra dentro do agregador e, na maioria das vezes, requer conexão ininterrupta ― o que não tem nadas a ver com o éthos do RSS. No ato da subscrição, apareceram mais uns dois popapes pedindo para seguir outras revistinhas. Substack já nasceu emerdificado. Mas a ver como será essa experiência. Ainda preferirei RSS de qualquer modo.

Imagem de um homem vestindo terno com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Um tratado universal para netiquetas

Está mais do que na hora de criarem uma lista universal de netiquetas, da qual independe de plataforma. Eu incluiria uma: se for deixar de seguir uma pessoa, bloqueie e desbloqueie em seguida, a fim de tirá-la da sua lista de seguidores. Isso é básico.

Porque precisamos garantir o não digital

Forçaram tanto os mais velhos a usar um smartphone, que agora os coitados não sabem nem ligar o aparelho quando ele desliga, puxar cortina de configurações ― nada. Uma senhorinha que mantém um sítio na fronteira entre Piauí e Ceará estava me pedindo ajuda porque entrou na aba de “Whatstatus” e não sabia voltar para o chat. Esse é o nível de desbalanço em que nos colocaram. Praticamente jogaram os idosos na digitalização e eles levam caldo da tecnologia todo santo dia.

Imagem de uma mulher vestindo roupa formal com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Linkroll

Artigo da Intercept Brasil com uma entrevista do pesquisador belga Mark Coeckelbergh, da área de Filosofia da Mídia, sobre a atual relação entre as BigTech e o governo estadunidense.

Alguns trechos que me chamaram a atenção:

A diferença [entre fascismo e tecnofascismo], segundo ele [Coeckelbergh], é que, enquanto líderes autoritários como Adolf Hitler lançavam mão abertamente de violência, repressão a vozes dissidentes e dependiam de movimentos de massa para ter legitimidade, o tecnofascismo oferece ferramentas de controle mais silenciosas, menos visíveis e mais precisas: os algoritmos. Diferentemente do fascismo clássico, o tecnofascismo não precisou forçar as pessoas ou criar medo. As ferramentas tecnológicas atuais, como os algoritmos, conseguem saber do que você precisa antes mesmo que imagine. Com isso, as pessoas foram dominadas pelo prazer e pela conveniência oferecidos pela IA e suas corporações, tornando-se seres dóceis e obedientes.

[Mark Coeckelbergh:] Os EUA e o Vale do Silício têm essa ideologia neoliberal, muito anti-Estado, livre-mercado, libertários. Mas ao mesmo tempo, a tecnologia nos EUA é definitivamente financiada pelo governo através do Departamento de Defesa, por exemplo, agora chamado de Departamento da Guerra. Há definitivamente ligações financeiras entre governos e big techs.

Eu defendo uma visão em que os seres humanos se relacionem mais entre si, e um futuro que tenha mais essa característica. Precisamos de tecnologias que são agregadoras, que unam as pessoas em vez de isolá-las, que permitam ação coletiva, deliberação.

• Entrevista: Como a IA abre caminho para o tecnofascismo

Imagem de uma mulher vestindo roupa formal com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Campanha publicitária da Forbrukerradet (tente pronunciá-lo), um “conselho de cliente” norueguesa, satirizando a emerdificação digital através de um personagem que escalou na vida piorando produtos.

• A Day in the Life of an Enshittificator (Youtube)

“Combata o Câncer” é uma campanha da VML Health e da Fuck Cancer com uma ideia inusitada: eles sugerem que você se masturbe 21 vezes por mês. Pesquisas mostram que essa frequência de ejaculação pode reduzir o risco de câncer de próstata em até 22%:

Beat Cancer Off (letsfcancer ― Youtube)

“Possíveis distúrbios cognitivos-comportamentais induzidos pela tecnologia”, é um esquema satírico feito pela VIZsweet e com apoio da @infoisbeautiful@vis.social, que nos faz pensar na nossa relação com tecnologias e dispositivos eletrônicos em geral

“Possible tech-induced cognitive-behavioural disorders” (Information is Beautiful)

Não gosto tanto de ouvir Rádio Novelo, mas curti muito esse episódio em que as locutoras entrevistam um colecionador de correio de voz, uma mídia física (disco de vinil e mais tarde fita cassete) gravada nos correios e enviado por carta, muito popular no começo do século passado, em um tempo em que telefone ainda era coisa de alienígena.

Vozes do Além (Rádio Novelo Apresenta)

Imagem de um homem vestindo terno com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Uma calculadora que estima quanto os anunciantes pagam para se exibirem a você. Para o meu perfil, pagam 36 centavos de dólar por hora de anúncio. Parece pouco, mas é mais de R$ 273 por mês.

What's Your Attention Worth | The Ad Spend Calculator

Sítio oficial do Décio Pignatari, poeta, tradutor e pensador do Brasil, um dos iniciadores da Poesia Concreta. O espaço virtual foi desenhado pela designer e também poeta André Valias, no aniversário de morte de 10 anos do Décio, em 2022. Das coisas que eu acho mais incríveis nesse sítio é a aba de traduções, posta em ordem cronológica; as traduções do DP vão de Safo à Tsevetaeva, quase dois milênios de poesias...

SITE OFICIAL ― DÉCIO PIGNATARI

Ainda sobre Poesia Concreta, um sítio com o acervo de todas as edições da Revista Código, uma das revistas nas quais os poetas concretos publicavam suas poesias. Para quem curte design e poesia de vanguarda, são um prato cheio de inspiração. Sempre que tenho um tempinho, dou uma visitada na Revista Código.

codigorevista.org

Citações

Uma coisa que eu gostava quando fazia karatê é que nós, faixas brancas, éramos orientados pelos faixas amarelas, poupando o sensei e os karatecas mais experientes de ficar nos ensinando coisas muito básicas. Eu queria que tudo na vida funcionasse meio que desse jeito. Exemplo: nesse sistema eu seria faixa preta em viajar de ônibus, se você não sabe se esse ônibus vai pra Paulínia ou pra Cosmópolis, pergunta ali pro faixa amarela, não enche a porra do meu saco.

@felipesiles@ayom.media

(Abro uma pausa parentética para uma “digressão curiosa”, qual seja concernente ao destino de certas pessoas em relação ao próprio nome. Esse Schoenmaekers, por exemplo: seu nome, provável corruptela “melhorada” de “schömaekers” ― “sapateiro(s)”, em holandês quer dizer “fazedor(es) do belo”... Edgar Poe tinha o destino inscrito no próprio nome: poe(ta), poe(t). Contraditório o destino de outro grande poeta de nosso século, Ezra Pound. Com prenome bíblico, apoiou o fascismo de Mussolini e foi acusado de anti-semitismo; filho de Homer Pound (que foi funcionário da Casa da Moeda estadunidense), chegou a escrever ensaios e panfletos sobre a reforma monetária, para não dizer que o tema da usura é um dos temas centrais de seu poema épico, The cantos (Pound, como se sabe, quer dizer libra) Já Mallarmé (= “mal armado”) sofreu desde os bancos escolares, fez do erotismo um de seus temas fálico-secretos. Para acréscimo de seus males, era de baixa estatura ― e mais sofreria ainda por sua obra, objeto de ataques constantes e até rasteiros. Fernando Pessoa negou o nome, dividindo-se em outras pessoas e outros nomes ― os famosos heterônimos (Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Albero Caeiro). Waldemar Cordeiro, com seus 1,90 m de altura, foi o rebelde e agressivo líder dos artistas concretos de São Paulo, na década de 50. E Mondrian, ao ouvir e pensar o seu nome à francesa, não podia deixar de pensar, ver e ouvir “Monde/Rien” [Mundo/Nada]

― Décio Pignatari em “Semiótica da Arte e da Arquitetura”.

#notas


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Logo of offpunk Manifesto, a up-side down symbol of wireless internet

The revolution will not be digitized.

At a time when hyper-connectivity is pointed to as a symptom of an inescapable future, a shy and uncomfortable movement is insinuating itself: that of purposeful and intentional disconnection. The adoption of “dumb phones” has grown in recent years. Digital cameras are being used again. As are cassette tapes. And also typewriters... There is also a movement towards adopting the newspaper. Even the minidisc, forgotten because of the mp3 player, has risen from the ashes.

At the beginning of the century, the internet was the promise of the final act of the “Global Village,” advocated by Marshall McLuhan. Computers, expensive and scarce (hence, sometimes communal), were portals to an otherworld. Governments, spending considerable sums, sought to ensure that poor classes were digitally “included.”

We got there. We are now heading towards the mark of three connected devices per person worldwide, according to Cisco Visual Network Index estimates for the 2020s.

The digital is ubiquitous and taken for granted. Included digitally whether we like it or not, we no longer connect to the internet. We simply live in it.

As if wearing a uniform, we keep our phones in our pockets to work, to live, to love.

Digital technology has ceased to be a tool and has become an environment — an environment from which one cannot escape. That is, a prison.


“Ensuring the non-digital is a duty, not a return to the past,” Giulio Cavalli.


In this scenario of compulsory, sometimes unnecessary, connectivity, true dissent isn't bypassing the system — it's simply refusing to be part of it.

As the belgian sci-fi writer and software developer Ploum argues, the “punks” of our era are those who dare to live without a smartphone — or “offpunks,” as I now prefer to call them.

Connection as a Weapon of War

The result of centralized, monopolistic technological development, the distribution of internet or digital services has become a weapon of war. When countries with “hard power” enter conflict, they seek to disrupt not only water and gas supplies — they cut off the internet as a wartime tactic. Russia did so in offensives against Ukraine; Israel does so within Palestine.

At the end of 2025, French judge Nicolas Guillou of the International Criminal Court lost all access to several American digital services — such as hosting, online shopping, and banking — provided by American companies like Airbnb, Amazon, and PayPal. The United States justified this sanction because Guillou issued arrest warrants against Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu and his Defense Minister Yoav Gallant, due to Israeli attacks of a genocidal nature in Palestinian territory. The United States is the main country supporting Israel's actions in Central Asia.

The offpunk stance is born from a simple and uncomfortable observation: the digital realm is fragile. At the same time, all social life is forcibly embedded within this environment. Therefore, this stance takes into account that one must not depend entirely on virtual services, at the risk of one of them being sanctioned or becoming unavailable. Examples like the Microsoft server outage that impacted banking services worldwide in mid-2024, the sanction of Twitter/X by the Brazilian government in late 2024, and the global outage of Amazon and Cloudflare servers in late 2025, which took down numerous domains on the internet, laid bare not only its fragility but also our dependence on these services.

When the system goes down — due to political sanction, outage, or war — what exists online simply evaporates. You are left helpless if your only option is digital.

After all, uninterrupted connection is not a guarantee, especially in countries of the global South or those under internal or external political conflict, or even in peace situation ― in the city of São Paulo, Brasil, due to its policy of outsourcing its energy supply from Italy, there are frequent power outages on rainy days. In these countries, one must always count on analog as a Plan B.

Digital Minimalism and Offpunk

It's important not to confuse “offpunk” with digital minimalism.

Digital minimalism is a liberal approach to disconnection, entirely focused on individual agency, without criticizing power structures.

Since a peaceful offline life is not possible, it strips away all immersive (or “addictive”) digital elements from it, in order to configure connected environments to be simulacra of an analog life. Off, ma non troppo.

What we truly need is the possibility of total disconnection; the right of going around without the needing of carrying the newest smartphone and being available for 24/7 communication.

Trine Syvertsen demonstrates very well in her “Digital Detox: The Politics of Disconnecting” (2020) how digital minimalism participates in a neoliberal agenda of shifting the responsibility for solving structural problems (previously the purview of collective institutions) onto ordinary individuals — an average user of a modern phone. Furthermore, the author identifies that the reason people seek this type of detox can be summarized by three P's: presence, productivity, and privacy — all individual agendas.

In other words, if you miss moments of socialization because of your phone, if you don't produce at work or on personal projects due to notifications, or if you're fed up with being monitored and objectified by Big Tech, it's all exclusively your fault for not disciplining yourself enough and not studying ways to make it less appealing — not because of a business model based on the economy attention, mass surveillance, and by-design addictive software.

This delegation of responsibility for literacy aligns with the German-Korean intellectual Byung-Chul Han’s analysis of contemporary society in his book The Agony of Eros, in which he states that

Self-exploitation is far more efficient than exploitation by others, as it goes hand in hand with a sense of freedom.

Another symptom of this delegation of responsibility is the self-service kiosks found in supermarkets, pharmacies, and banks, which entrust customers with the task of conducting their own retail or banking transactions, most often without an assistant, doing the work of an employee and without receiving any discount on their purchase; if a mistake is made during the transaction, it is charged to the customer’s account, not the company’s.

Offpunk, on the other hand, even though it's a tech-savvy behavior, advocates for unpretentious disconnection, without the detriment of being on the edge of social activities and the exercise of citizenship.

Finally, while digital minimalism sees disconnection as a means to produce more, offpunk does not view digital detox as a means to greater productivity, because it is, in fact, an attitude of anti-consumption.

Definitions

Offpunk is not a lifestyle. It is a stance towards digitalization, the pursuit of a possible collectivization of digital detox, exploring the social and political character of disconnection. It reclaims leisure, citizenship, and communication without the obligation of a digital intermediary; it does not fight for the end of the internet, but battles for a practible life without uninterrupted connection.

And as a stance, offpunk is closer to a secular tactic, like meditation and guerrilla warfare.

Furthermore, it is noticeable that the intricacies of modern work, even those involving analog activities like teaching, are increasingly invaded by digital processes. In the 2020s, the common use of internet can only be associated with work, as disconnection can only be associated with leisure.

Thus, an offpunk stance defends life beyond work.

On the other hand, with so many unnecessary layers of digitalization in our daily lives, at certain moments one finds in the analog more fluid and direct means of solving problems (read the section “offpunk instruments”).

Offpunks include: a teenager who adopts a basic phone and joins a luddite club; an audiophile who, dissatisfied with Spotify, decides to acquire a record player or an mp3 player; an expert who uses cybersecurity systems; those who fight electronic device obsolescence by installing Linux or custom ROMs on their devices; a self-employed worker who deactivates their commercial social media like Instagram and Facebook; an elderly person who resists using smartphone and finds ways to circumvent digitalization.

Offpunk is not nostalgia. It is not a naive technophobia nor a romantic escape to an imaginary past. It is, above it all, a search for sovereignty and self-managing. Paraphrasing Eduardo Fernandes, as an offpunk:

Technological revolution is not revolutionary, becoming outdated is not reactionary.

The Offpunk Aesthetic

Offpunk doesn't have a face yet, but we have some clues as to what it might look like. The first one might come from a recent definition by Ploum of his own action on internet: “technopunk,” an anti-system technophile.

As mentioned earlier, offpunk is about a stance towards the state of technology in the contemporary world, not an utopia/dystopia or a visual aesthetic that participate of wider cultural movement such as “solarpunk” or “cyberpunk.”

Some offpunk examples:

1) in computing, the Offpunk browser for the Gemini protocol, which names this manifesto; 2) in design, the concept of the “Forever Computer” and the Mudita Kompakt phone; 3) in society, the New York Luddite Club; 4) in literature, “Bikepunk” (2025); 5) in cinema, “One Battle After Another” (2025).

In One Battle After Another, “obsolescence,” the downgrade is a strategy for freedom. The characters resort to old, customisable devices to create a parallel communication and security network. When new technologies (such as smartphones) emerge, they’re meant to put lives at risk, to suppress people, and to prevent plans from coming to fruition.

Eduardo Fernandes (Texto Sobre Tela).

In the German-Japanese film “Perfect Days” (2023), we watch the idyllic routine of Hirayama, a cleaner for the Tokyo Project public toilets, who, in his free time, takes photographs, listens to music on cassette players, rides a bicycle, reads books before sleeping, and appreciates every moment of his days — disconnected and doing fine.

Japan, famous for being a country that manages to balance the modern and the traditional, provides cash payment kiosks, business communication via landline telephone, retrocomputing used by large companies — like fax and floppy disks. In India, which perhaps has the best telephone system in the world, the average citizen makes around 90 calls per day.

Demands

Issues related to offpunk include:

1) the fight against overproduction;

2) the fight against planned obsolescence;

3) the fight against the “internet of things,” seeking to break the vicious circle of interconnected devices that consume our time and drain our data to feed Big Data;

4) the fight against the economy attention;

5) reducing working hours, which gradually push labor activity further into the virtual field;

6) the right to leisure, to citizenship, and to work without the needing of a digital device;

7) the urge of a wide inclusion of the poorest and elderly segments of the population to the digital world, which depends not only on acessing an electronic device but also on digital literacy for their independent use and maintenance of that device, aiming a decreasing dependence on others.

Italian columnist Giulio Cavalli argues:

It's true: digitalization simplifies, speeds up, and standardizes procedures. But only for those who can be part of it. For everyone else, the future is a closed door.

“Ensuring the non-digital is a right, not a return to the past” (lettera43)

Offpunk Instruments:

1) cash — it's practical, requires neither electricity nor internet, and ensures personal data isn't stored in Big Data systems;

2) analogue media – ensure that communication independent of the internet is possible, or that the item is actually yours (and not rented), as it is a physical object: records, mp3/mp4 players, radio, printed newspapers;

3) revived digital media — email, low-cost “brutalist” websites, digital cameras, “dumb” phones;

4) file storage and transfer media — they ensure digital data isn't lost in the event of a connection outage: hard drives, memory cards, USB drives, self-managed local cloud services;

5) alternative communication protocols: messengers via Bluetooth (Bitchat), Gemini, encrypted email, onion browsing (Tor), XMPP.

Challenges:

1) overcoming digital conveniences (searching, text translation, easy entertainment, remote payment);

2) accessing social spaces permitted or facilitated only through digital means (concerts, cinemas, restaurants);

3) building professional networks without digital intermediation.


We defend the non-negotiable right to the non-digital. The right to share without the intermediation of algorithms, to organize socially without the mediation of platforms, to resist the imperative of online presence.

As long as a handful of companies in the Global North maintain a monopoly on technology; as long as mass surveillance continues with the state’s consent; as long as there is widespread data collection — and a lack of transparency regarding the use of the collected data — ; as long as there is an economy attention that usurps our valuable free time to force us view some ads on essential digital services; as long as there are infrastructures hindering digital sovereignty in Global South countries; as long as there is compulsory digitalization in a world where the internet is not treated as a basic, inalienable right — the revolution will not be digitized.

This text was originally written in Brazilian Portuguese and is signed by Arlon de Serra Grande and Lionel Dricot (a.k.a. @ploum@mamot.fr).

Fall 2026.

#tecnologia


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Nas últimas Notas Costuradas eu havia anunciado a página Recados, onde faço comentários mais curtos e despretensiosos.

Uma leitora destas Ideias, porém, pede que eu não largue as ~notas das Notas Costuradas, uma vez que as atualizações da página Recados não vão para o RSS. Por outro lado, vejo que essa mesma página não recebe tantas visitas.

Tentarei resolver esse dilema por um meio-termo: mantenho as atualizações, quase na mesma frequência com que eu mantinha meu perfil de microblogue fediversal; ao mesmo tempo as republico nas Notas Costuradas, só que com um pouco mais de desenvolvimento.

Além dessa ressalva, queria dizer publicamente que a partir de agora estou mais comprometido com a escrita de prosa ficcional ― ou algo assim. Há um tempo tenho me interessado por crônica, esse gênero que representa tão bem o Brasil.

A última publicação foi algo nesse sentido. No entanto, está mais próxima de um conto do que de uma crônica; mas já é algum exercício. Tenho pensado seriamente em partir para o pastiche, imitando mestres cronistas que admiro, como Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade e Décio Pignatari (esse Pelé da crônica). Essa foi a técnica que adotei para aprender/apreender poesia, que busquei registrar através do meu livro autopublicado “Estudando Poesia”. Funcionou para este tipo de literatura. Espero que funcione para a prosa.

É isso. Sigam na leitura:

Ainda sobre dilemas

Configuro um software para transcrever minhas notas em áudio, o Speech Note. Eu costumava utilizá-lo antes de formatar o computador. Como voltei a gravar mais áudios como forma de “sentir que estou escrevendo”, decidi baixar o programa e prepará-lo.

Ele é uma mão na roda, mas que está tomando muito tempo. Às vezes penso se não seria melhor escrever somente com os recursos primários ― papel, caneta e cabeça ―; que o desenvolvimento de ferramentas de escrita na verdade está é complexificando uma coisa que é simples: escrever. Digo, não escrever em si, mas: passar uma mensagem para outra pessoa.

De qualquer forma, gosto de experimentar novas ferramentas, e sempre o enfatizei aqui. Talvez o que esteja me aborrecendo seja a curva de aprendizado que cada ferramenta me toma. Um baita dilema. Quem domina somente os instrumentos básicos não passaria por isso. Porém, eu que domino instrumentos alternativos, digo: por que não reinventar aquilo que já está dado como definitivo, uma vez que cada instrumento é determinante para o texto?

Blogues x Newsletters

Rolando pelo Lerama, posso dizer com toda a certeza: blogues têm mais molho do que newsletters. Felizmente ainda há alguns desses últimos que se salvam, mas em geral os demais parecem mais revivais do Tumblr, soa algo da adolescência tardia, uma poesia barata aqui, uma fotinha bonitinha ali, um desabafo praculá. Uma breguice só.

E escrevem muito mal. Não consigo terminar a maioria dos textos que começo a ler, não há cadência na escrita, não há costura alguma, textos que andam em círculos sempre, sempre redundantes e cheio de clichês. Ler o primeiro parágrafo e ler qualquer outro não faz diferença. Dá igual.

O mais engraçado de tudo é que “newsletter” só se resume a Substack. Só tem essa plataforma de newsletter por acaso? (E nem o povo do Fediverso para divulgar mais o Ghost...). Quando as pessoas se referirem a toda e qualquer newsletter como “Substack”, quero só ver...

Ainda sobre polarizações

Rolo pelo Lemmy. Claramente há uma grande cisão entre um Fediverso “shitposting” e um Fediverso discursivo. Os lemmyanos diferenciam esses dois polos (que raramente se tocam) como “blogoverso” e “fioverso”, respectivamente.

No período em que estive dentro do Mastodon e outras plataformas de microblogue, sentia falta exatamente desse ímpeto de debate, que eu via em comunidades anglófonos ou italófonos. Pode ser também que isso seja algo cultural, que o Fediverso brasileiro não curta mesmo discutir. Quando descobri que era possível publicar em comunidades mais verborrágicas, como Lemmy e Friendica, mesmo sem ter conta nessas plataformas, fiquei mais tranquilo.

Espero que a esta altura do campeonato, os dois polos estejam um pouco mais integrados. Isso não é tão visível a partir do chamado “fioverso”.

Proton Mail não vale o que sai da bunda

Troquei o meu serviço de e-mail. O Proton estava praticamente com o espaço esgotado. Decidi trocá-lo porque o Proton só disponibiliza 1GB de armazenamento de mensagens. Quando comecei com o serviço, era até suficiente. Dois anos depois, já está lotado.

Então pensei “Bom, já que é para trocar, vou tentar um outro serviço que tenha outros recursos”. Decidi assumir um Disroot, porque ele permite logar em clientes de terceiros, como Thunderbird. Através do Thunderbird, é possível manter mensagens em modo offline, e agendar seu envio.

O Proton não o permite. Simplesmente. Para tanto, é necessário um tal de Bridge sei-lá-o-quê-das-quantas, que só é acessível por uma conta premium. Só é possível ver e-mails via desktop pelo webmail. “Até aí, tudo bem”.

Agora, com a conta nova criada, o que se faz? Configura-se o encaminhamento automático para o endereço novo, que será utilizado como primário. Negócio tranquilo, coisa de rotina. Fi-lo diversas outras vezes com contas Gmail.

E eis que para a minha surpresa, acabo de saber que Proton não permite encaminhamento automático em um plano gratuito. A principal suíte privativa anti-Google tem táticas de marketing que faria um CEO techbro ter espasmos de tesão.

Felizmente, os demais serviços da Proton são decentes. Mas em matéria de jardim murado, Proton é docente.

América do Sol

Tenho trocado o café por suco. Às vezes paro e penso e me pergunto por que diabos esse fetiche por bebidas quentes em um país calorento como o nosso. Faz mais sentido utilizar a comida e a bebida para nos resfriar...

Faço das palavras do Rodrigo Ghedin as minhas:

Por que aquele chapéu em formato de cone, típico na Ásia (Vietnã, China), não é usado no Brasil? Esse Sol de rachar... O chapéu é tipo um guarda-sol pessoal. Seria estranho se eu usasse um?

Aliás, aqui em casa tenho esse chapéu (chamado de “nón lá”) que comprei por míseros R$ 20,00 em Salvador, e pretendo usá-lo com mais frequência até que eu me sinta mais confortável. Já o usei algumas vezes e é bem agradável, parece até feito para o nosso clima.

Blogue + e-mail = liberdade

Se você tem um sítio pessoal ou um blogue, peço encarecidamente: divulgue o seu e-mail. Da forma mais objetiva possível. Nem todo mundo está interessado em lhe seguir via rede social, mas sim interagir de par para par ou ao menos mandar um feedback.

Muito se fala no Fediverso sobre combate contra monopólios, mas um e-mail somado a um blogue ou sítio pessoal bate de longe qualquer protocolo alternativo de comunicação no quesito descentralização.

Linkroll

Ainda sobre blogues e e-mails, @ploum@mamot.fr fala por que não precisamos criar mais protocolos descentralizados e alternativos, mas sim utilizar a atual infraestrutura de forma que não atravesse monopólios tecnológicos.

The biggest lesson I take is that “social networks” are not about protocols but about how we use the existing infrastructure. Microsoft and Google are working hard to make sure you hate email and hate building a website. But we don’t have to obey.

• The Social Smolnet (ploum.net)

Filtro para o OpenStreetMap que exibe instâncias do Fediverso pelo mundo. Já espoilerando: o Brasil atualmente detém cinco instâncias com servidores locais: pixelfed.com.br, mastodon.com.br, burn.this.town, colorid.es, bolha.us. As quatro últimas são comunidades Mastodon.

• Fediverse Near Me (OpenStreetMap)

Belo artigo de opinião do Rodrigo Ghedin sobre o atual movimento de proibição de redes sociais para menores de idade em todo o mundo:

Não existe idade certa para essas coisas. E, ainda assim, tudo isso está normalizado. As pessoas reclamam de estarem viciadas no Instagram ou no TikTok, dos golpes chancelados pelas plataformas em todo anúncio que veem, dos vídeos com cenas atrozes que saltam do mais absoluto nada, e... tudo bem? Continua tudo igual. Talvez devêssemos tratar redes sociais como tratamos o tabagismo no Brasil. Proibidas para menores e com restrições mais severas que atinjam (e beneficiem) a todos.

• Redes sociais afetam adultos também (Manual do Usuário)

Eduardo Fernandes inverte os papéis com a ferramenta generativa: a IA escreve o comando e o autor envia a resposta. Achei um exercício de escrita bastante interessante.

• Gemini e Claude querem que eu fale sobre morte (Texto Sobre Tela).

Gifavetta, artista nômade digital, viajou pelo Brasil registrando dezenas de placas escritas à mão e muros grafitados para criar a Tipografia Vernacular 0800, um repositório de fontes baseado em letras de manuscritos urbanos:

• Tipografia Vernacular 0800 (gifavetta.art)

@lucianohbraga@instagram.com decidiu imprimir suas newsletters favoritas e pregar em uma parede do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Isso me faz pensar que, estamos tão cansados do algoritmo e da tela, que, qualquer chance que tivermos para fruir um texto, mesmo digital, fora desse meio, estaremos dentro.

Isso também me fez pensar em como precisamos criar formas de compartilhar nossas curadorias. A minha já é esta: manter um blogue. Essa é a maneira que encontrei para contribuir para uma deslinearização da experiência na internet.

• Pegue uma news (Instagram).

Uma árvore genealógica dos gêneros musicais, organizados por época, cada qual com uma playlist bem curada. É mais do que um sítio web, é uma peça de arte e de pesquisa séria. Simplesmente viciado nesse espaço!

• The genealogy and History of Popular Music Genres (musicmap.info)

Um medley infinito em estilo Habboo de personagens de cartuns, séries, games, memes e cultura pop em geral dentro de uma espécie de edifício-fábrica. Atualizado esporadicamente. Adorando conhecer memes, os mais obscuros...

• Floor 796

Artigo da Piauí reproduzindo o prefácio de “Um homem chamado Opinião” (de Márcio Pinheiro), escrito por Marcelo Rubens Paiva, autor de “Feliz Ano Velho” e “Ainda Estou Aqui”. O livro retrata a trajetória de Fernando Gasparian, empresário que manteve o jornal Opinião, o qual continha uma postura progressista e de sutil subversão, durante a ditadura militar.

A L&PM Editores publica em abril a biografia Um homem chamado Opinião, de Márcio Pinheiro, sobre a trajetória de Fernando Gasparian (1930-2006). Empresário da indústria têxtil, depois do golpe militar de 1964 foi perseguido e asfixiado economicamente pelo governo devido a suas posições liberais e acabou se exilando na Inglaterra. De volta ao Brasil no início da década de 1970, criou o semanário Opinião, que entre 1972 e 1977 seria um dos principais e mais ousados veículos da imprensa a enfrentar a ditadura e sua censura, como descreve o trecho a seguir do livro, cujo prefácio é do escritor Marcelo Rubens Paiva.

• Um jornal de Opinião (Revista Piauí).

Luciana Morin (@luciana@organica.social) explica o que é o protocolo RSS e faz uma bela curadoria de feeds. Fiquei muito feliz de ter encontrado vários links funcionais de endereços dos quais já busquei um RSS...

• Sabote a economia da atenção construindo sua própria timeline via RSS (O sol na cabeça).

Citações

Como dizia um amigo meu, surrealismo é quando você dá uma surra no realismo.

Bráulio Tavares.

A transição pra vida adulta é marcada pelo dia em que você vai ao centro da cidade comprar agulha pra fogão à gás.

@ivanjeronimo@bolha.one

If this new chatbot is so efficient, why do you need to force your employees to use it? Why do you need to advertise the fact that you are using it? Are you that insecure? If I truly had a powerful tool, I would not talk about it. I would only show it to my employees, asking them to not tell the competition about it. And I will let the employees discover by themselves how efficient it is by giving bonuses to the most efficient.

@ploum@mamot.fr

#notas


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Não há exercício melhor de autoconhecimento do que lembrar, não das primeiras vezes ― essas nos aparecem dia após dia (basta ter a sensibilidade necessária para percebê-las) ―, mas sim das primeiras primeiras vezes, aquelas da infância e da adolescência, de quando o mundo era gigante como o pai da gente.

Até para que eu próprio me conheça enquanto conto uma delas, deixo que o leitor a entreveja...

Eram idos dos anos oitenta, na gloriosa Serra Grande, onde cresci, casei e criei meus três filhos ― que talvez não saibam (por enquanto) dessa história. Estavam ainda em alta as discotecas. Minha cidade, por menor que fosse, dispunha de boas e grandes praças, boates e (vejam só como as coisas mudam!) cinemas. Assim, os namorados estavam bem servidos de programas e, ainda que esses por acaso faltassem, ainda sobravam as serestas e os namoros na varanda ― esses doces e clandestinos ensaios sexuais.

No entanto, para um menino de 15 anos, tudo isso ainda não passava de histórias de amigos e parentes mais velhos. Eu ainda sairia com um “pão” pela primeira vez naquela noitinha de quinta-feira.

Era hora.

Ao entardecer, enquanto tocava a habitual “Ave Maria” no radinho de meu pai distraído no quintal, lá estava eu penteando meus cabelos molhados, com a ajuda do espelhinho de aro laranja. Vestindo a roupa nova em folha saída da costureira ainda àquela tarde, fui sorrateiramente ao quarto dele para tomar emprestadas duas borrifadas de seu melhor perfume.

Fechando cuidadosamente o portão de casa, fui à praça central me sentindo o próprio Tony Ramos.

Já era média noite quando eu a vi, aquela que seria uma das minhas primeiras primeiras vezes... Do seu nome, já não lembro mais, mas poderíamos chamá-la de Mirian.

Amigos meus, mais experimentados, sugeriram que eu a levasse para o cinema, o que Mirian declinou:

― A próxima sessão é muito tarde, e a sala mais próxima está assim de mofo!

Certo. As recentes chuvas justificavam o mofo, mas agora eu teria um escurinho a menos onde a beijar e, quem sabe...

Sobravam a praça e a boate. A primeira, com privacidade zero, nem pensar, a não ser que eu estourasse a lâmpada do poste. A segunda, bem, seria um risco, porque, salvo se por um milagre de termos a pista toda para nós, ficaríamos muito expostos ― aí, já viu: nada de bitoca. Além de tudo, não diria que eu era um exímio dançarino, mas vai que tocava uma música lenta, mais fácil de dançar, e ainda por cima agarradinho...

Apressados por conta da chuva que se aproximava outra vez, quase a atropelando, entramos na discoteca.

Iluminada por mil cores, um calor danado, a pista estava tinindo! Muita gente, pouca chance. Se eu não cuidasse, era capaz até de pegarem a dona que eu levei.

Mas fiquei. Vi que estava curtindo e que já estava na minha. Agora era cuidar para não lhe pisar no pé tentando imitar John Travolta de “Grease”.

Nas minhas limitações, dancei; nas minhas limitações a agarrei; mas nas minhas limitações não cheguei nos finalmentes. Muita luz, muita gente.

Dançávamos bem juntinhos ao som de “Woman”, de John Lennon, até que ― blam! ―, cai a energia. Bem, era agora ou nunca! Um belo de um blecaute, mas eu estava de olhos bem abertos quando lhe tasquei a língua em cheio. Seu gosto era algo entre agridoce e verde-musgo. Estranho ainda era aquela boca sem dentes...

E aí, quando fez-se luz outra vez, Mirian disse:

― Ei, menino, é mais pra baixo, tu 'tá beijando é meu nariz!

#cotidiano


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que mais parece um blogroll.

Um notebook submerso na água de rio

Com o novo formato de posts que estou mantendo na aba Recados, não creio que seja muito interessante eu voltar a escrever microposts nas Notas Costuradas. Ao menos desta vez, irei compartilhar somente laços que acumulei nos últimos tempos.

20 palavras japonesas para a chuva

Miya Ando colecionou e ilustrou em livro 2000 palavras e expressões japonesas relacionadas à chuva. O MIT Press publicou ao menos 20 delas no laço abaixo:

• 20 Japanese Words for Rain (The MIT Press Reader).

Algumas dessas expressões são:

Kabashira Tateba, Ame: observar uma nuvem de mosquitos ― sinal de chuva;

Giu: chuva falsa;

Ama ga Nukeru: o céu abre, aí chove canivetes;

Kitsune no Yomeiri: o dia quando as raposas têm a sua cerimônia de casamento (talvez se referindo à chuva com sol);

O que é interessante nesse tipo de texto é notar o quanto as línguas se adequam ao ambiente do falante. É como pensar nos dialetos nordestinos e na quantidade de expressões que se tem para falar do sol, do calor e das formas do vento.

Arrobas Pralamentar

Sítio que divulga nomes de parlamentares que votaram em projetos de lei impopulares e suas formas de contato (e-mail e redes sociais), além de outras informações, como partido político e onde foi eleito.

• Arrobas Pralamentar: O pior congresso da história, por enquanto...

Um soco inglês com materiais imitando dentes e gengiva

O quão pior a internet pode ficar?

A teoria da enshittification de Cory Doctorow parte da premissa de que criamos uma maravilha tecnológica e que a ganância corporativa a arruinou. Mas e se não for esse o caso?

Resenha do romancista e ensaísta estadunidense Jacob Bacharach do livro “Why Everything Suddenly Got Worse and What to Do About It”, de Cory Doctorow.

• O quão pior a internet pode ficar?, por Jacob Bacharach (Carbono ― UFRGS)

Linhas nada positivas sobre o livro, mas reflexões muito boas. Me junto completamente à “resenha desta resenha” escrita pelo sol2070.

Computação e ergonomia

When interfacing is painful, change yourself or change the computer? The Body and The Computer: Customizations, hacks, unlikely imaginings. How we make computers and computers make us.

Um bloco do Are.na que encontrei outro dia. Uma coletânea de imagens com projetos de ergonomia computacional ou de computação curiosa. Um “bloco” seria o conjunto de ideias, laços, pdfs, vídeos e sons que cada usuário do are.na reune em torno de um só recipiente. O Are.na é um sítio ao qual vou quando quero explorar, recomendo bastante.

• Are.na / Fletcher Bach / Ergonomic Computing

Smartphones fantásticos

Uma série de instalações interativas desenvolvidas por estudantes do bacharelado em Design de Mídia e Interação do Écal, investigando de maneira crítica e distanciada nossa relação com os smartphones e a maneira com a qual eles influenciam nosso comportamento cotidiano.

• Fantastic Smartphones (École Cantonale d'Art de Lausanne ― ÉCAL)

Mantendo os disquetes vivos

Há uma corrida contra o tempo para salvar tesouros históricos presos em antigos disquetes

Matéria da Folha de São Paulo falando sobre o trabalho hercúleo de pesquisadores para manter o arquivo digital do cientista Stephen Hawking, que foi um early adopter do computador pessoal e sempre salvou suas coisas em mídias removíveis ― agora abandonadas.

• Os disquetes esquecidos de Stephen Hawking por trás da corrida para evitar 'Idade das Trevas' digital (Folha de São Paulo).

Quem olhará pelos orelhões?

Pequeno documentário amador sobre a história dos telefones públicos no Brasil, os chamados “orelhões”.

Desde que vi este vídeo, peguei uma obsessão por “retrotelefonia”, telefones fixos, memórias associadas à ligações etc. Ando até mesmo pensando em comprar um telefone fixo. Me julguem!

• O auge e a queda dos orelhões no Brasil (Canal 90 ― Youtube).

Uberizando

Texto dA Pública mostrando os critérios absurdos da Uber para cobrar mais em viagens ― ao tempo que paga menos aos motoristas.

• O que você deve fazer para pagar menos no Uber – e aprender no caminho (Natalia Viana ― A Pública)

Geriatria da tecnologia

Como o filme Uma Batalha Após a Outra retrata a guerra entre tecnologias.

Eduardo Fernandes reflete sobre como temos de lidar com camadas e mais camadas de tecnologias e como velhas tecnologias estão se tornando “resistência” na era da ultradigitalização.

Geriatria da tecnologia (Texto Sobre Tela ― Substack).

Cada homem é árbitro de suas próprias virtudes.

― William Faulkner em “O Som e a Fúria”.

#notas #cultura #tecnologia


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Filipe Saraiva, desenvolvedor e veterano fediversal, fala sobre por que abandonou o Micro.blog, uma plataforma social dentro do ecossistema ActivityPub ― t.c.c. Fediverso.

• RT/Boost/Repost é um componente prejudicial para redes sociais “tranquilas”? (filipe.saraiva.tec.br).

Com “tranquilas” Filipe faz menção àquelas redes que

desabilitam funcionalidades viciantes, que fazem com que o usuário fique cada vez mais tempo na plataforma, e também funcionalidades que o estimulam a criar uma “audiência” cada vez maior em torno do conteúdo.

Filipe teve o lampejo desse suposto efeito danoso dos compartilhamentos automáticos (chamado de “RT” em seu texto) desde que começou a frequentar Micro.blog.

Micro.blog, como seu próprio nome diz, é tipificado como microblogue, mas, ao contrário de seus análogos Twitter, Threads, Bluesky e Mastodon,

doesn’t have like counts or follower counts. It’s not a popularity contest

Isso mesmo. No seu fluxo principal, não mostra número de favoritos, compartilhamentos e comentários. Nem mesmo a contagem de seguidores. Somente as publicações de seus membros. Só. That's all, folks. C'est tout.

Não obstante, também não incentiva o compartilhamento automático. Como mostrado no laço do blogue do Filipe Saraiva do início deste texto, quem quiser compartilhar a publicação de um “microblogueiro”, que insira o endereço da publicação na caixa de texto.

Assim, a seco, Micro.blog manifesta sua ojeriza ao número virtual e entra na escassa lista de redes sociais que não têm em si o número como incentivo para a interação virtual ou termômetro de um perfil. Dentro dessa mesma lista só se encontrariam o Lemmy e algumas plataformas de macroblogue, entre as quais o WriteFreely, aquele pelo qual publico neste exato momento. O WriteFreely mesmo, só registra o número de visitas em uma página, visível somente para aquele que publicou.

O Instagram mesmo há um tempo deu a possibilidade de ocultar o número de curtidas dos posts. A razão?, não é clara, alguns dizem que é para diminuir a pressão de comparar-se com outro perfil, um argumento insatisfatório, já que ainda há o número de seguidores a serem comparados; outros interpretam que é uma tentativa da rede para se focar mais no conteúdo. A minha hipótese é de que não se queria que empresas que fossem divulgar sua marca na rede social ficassem “abaixo” dos influenciadores, que carregam em si milhares de seguidores.

Seja como for, a simples presença do registro de atividades em uma plataforma social muda completamente nossa relação com os seus membros. Com a presença de empresas nas redes sociais, bem como de influenciadores (indivíduos que têm introjetado a lógica empresarial), o número tomou outro teor dentro dos social media.

Entre um dos efeitos diretos do número em redes sociais, eu apontaria para o incentivo à

performance

Isso porque há um ímpeto no usuário de que ele alcance mais números. Com a contabilidade de seguidores, curtidas, compartilhamentos e tudo quanto, o usuário deixa de ser um membro de uma comunidade para se tornar um empresário de um mercado.

A numerabilização incentiva a competição. Sem a contabilização, não há corrida, corre-se às cegas, sob especulações. Através da contabilização há o mercado, há a bolsa de valores, há o ranqueamento da “qualidade” de ensino de escolas privadas. O número possibilita a comparação e, por conseguinte, a competição. E em uma rede social não se compete outra coisa que não audiência ― alcançada através da performance de uma personalidade unívoca e monotemática. Daí essa infinidade de

perfis nichados

que se encontra no TikTok, Twitter, Youtube. Nas redes sociais voltadas à perfilagem, identidades saltam aos olhos; o usuário larga mão de sua profundeza pessoal para performar uma identidade coesa, sem manifestação de interesses e de problemas vários.

Se a uniformização identitária não resolve, performa-se uma irreverência que se traduz em ragebait, provocações, polemismos baratos.

Em plataformas nas quais o anônimo (o perfil não numerificado) é mais presente, tende-se a ter um espaço mais pacífico e mais resistente à performatividade e ao ragebaitimo; isso é o que percebo em espaços como o Órbita, fórum do Manual do Usuário, no Lemmy, principal rede fediversal de discussão, e nos fios do Gemini, protocolo de internet que tem, como veículo principal, o texto.

Por falar em identidade, outra consequência não tão evidente da contabilização nas redes sociais é o

foco na atividade individual em lugar da coletiva.

Em um fluxo linear de publicações de estilo “microblog”, seja algorítmico, seja cronológico, ainda que intuitivamente, sua estrutura faz focar, não em comunidades, mas em perfis individuais. Esses perfis forçosamente não chamam atenção para questões coletivas, mas em questões pessoais; mesmo quando se exprime a respeito de questões coletivas, o que está em primeiro plano é sua relação pessoal com essa questão coletiva. Nesses fluxos, a terceira pessoa (”você”, “vocês”) fica em segundo plano; resta em primeiro, a primeira pessoa (“eu”, o “nós”). Aqui satura-se a opinião, nunca o diálogo. Satura-se o indivíduo, nunca a comunidade. A

cultura do influenciador

mesmo, tão combatida no Fediverso, é um efeito colateral das redes sociais numéricas. Quando se salienta o indivíduo em lugar de uma comunidade, surge o desejo de influenciar, de reger sobre o comportamento do outro. Afinal de contas, é difícil haver diálogo em um espaço em que há a amplificação de vozes individuais.

“E o blogue?”

você deve me perguntar.

O blogue é também a amplificação de uma voz individual, mas não está organizado no espaço virtual em um recipiente coletivo. Claro, o próprio WriteFreely é uma espécie de blogue de blogues. Mesmo assim, é difícil haver uma competição entre dois perfis writefreelyanos, até pela escassez de perfis.

Cada blogue e cada sítio blogueiro adquire o seu próprio direito de existir; respeita a horizontalidade do espaço virtual; e, como se não bastasse, tende a apontar para outros. A natureza blogueira é hipertextual, não autorreferencial, como perfis microblogueiros de um Twitter ou de um Mastodon ― que, inclusive, por não aderirem a linguagens de formatação como HTML e Markdown, não comportam bem hyperlinks.

Além disso, o blogue, por princípio, não é numérico; não põe a nu os números de visitas e de compartilhamentos; não pode ser comparado um ao outro, porque, para isso, todos deveriam ter estruturas e registros estatísticos similares.

Explorados os problemas da contabilização nas redes sociais, faço agora eco à preocupação de Filipe Saraiva quanto aos

compartilhamentos automáticos.

Quando entrei no Mastodon em meados de 2023, imaginava encontrar um espaço virtual “tranquilo” ― no conceito de Filipe. Apesar de ter uma linha de fluxo cronológica, as publicações eram organizadas de forma caótica. Não havia o menor sentido de ler sobre uma publicação de food porn ou gatinhos seguida de uma notícia de Gaza ou do avanço do fascismo nos Estados Unidos. Estamos tão insensibilizados com o atual estado da internet que não percebemos o absurdo que é organizar as informações dessa forma, em uma só cumbuca.

Uma maneira que encontrei de “neutralizar” e até de tornar o Mastodon mais interessante era “garimpando” perfis. Era o que eu costumava fazer mesmo no meu tempo de Twitter pré-algoritmo. Conhecendo um usuário interessante, eu tendia a perscrutar sua atividade, observar quais perfis seguia, quais publicações compartilhava, com quais pessoas interagia. Isso fazia com que eu criasse uma rede comunitária mesmo em um espaço que tem em primeiro plano a dinâmica individual sobre a coletiva.

Em outras palavras, o que eu buscava era

“bloguificar” o microblogue.

Daí, passei a criar listas de perfis e etiquetas (#), que acabavam por se assemelhar às comunidades do Lemmy: havia coerência, previsibilidade e recursividade. Se eu quisesse ler sobre geopolítica, buscava perfis sobre esse tema; se queria ver memes, abria um perfil que estava de bom humor; se queria ver recomendações de filmes, seguia a etiqueta temática # tercinema, na qual os membros de comunidades mastodontes indicam filmes sobre um determinado tema, debatido em enquetes.

Tudo era lindo, maravilhoso, delicioso, uhu... mas aos poucos fui cansando. A internet, como os recursos elétricos em geral, até um certo ponto nos permite configurar seus ambientes ao nosso bel-prazer. O problema é que as coisas “raqueadas” funcionam feito gambiarras. É possível frequentar o Mastodon como um espaço no qual o indivíduo não esteja em destaque, mas isso demanda paciência e letramento.

Mais fácil seria então manter

um blogue “de verdade”.

Afinal, coerência, previsibilidade e recursividade são da natureza blogueira. Além disso, introvertido que sou, eu não estava mais interessado em trabalhar para manter uma audiência em rede social.

Nesse ínterim, recuperei meu interesse em fóruns de discussão, um tipo de espaço que frequentei bastante quando era adolescente. Em um fórum, nunca se veem opiniões empurradas goela abaixo, nem piadas forçadas, lamentações ou ragebait― porque aí o indivíduo está em segundo plano.

Passei então a abrir mais o meu e-mail (doravante “e-meio”), por onde eu recebia comentários do meu blogue e notificação de respostas em fóruns de discussão, e a seguir mais as publicações por RSS, por onde eu acompanhava sítios de que gosto.

Assim estabeleci o

meu guia de orientação de atividade virtual

que é basicamente:

  1. evitar plataformas que tenham fluxo de publicações algoritmado ― como Instagram, Tiktok e Youtube;

  2. evitar redes que tenham um fluxo de publicações centralizado e que não deem a oportunidade de o usuário fazer a sua própria curadoria refinada de conteúdo ― como Instagram e TikTok;

  3. evitar redes que foquem em expressão em detrimento do diálogo ― Mastodon, Instagram e tudo quanto;

  4. manter a atividade principal em mídias que não destaquem o registro numérico da atividade dos usuários: RSS, blogue, fóruns e mensageiros (o e-meio incluso).

Para além dessas diretrizes, sempre busco como que “raquear” a estrutura das redes: costumo usar o Freetube, que permite assistir a vídeos do Youtube sem propagandas e que dá a oportunidade de criar listas mesmo sem ter um perfil na plataforma; e visito o Imginn quando preciso visitar um perfil do Instagram sem estar logado nessa rede.

Não estou mais interessado em aparecer, mas sim em fazer aparecer o outro na minha palavra.

Só me interessa o que não é meu

― Oswald de Andrade.

#tecnologia


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Mais uma vez, trabalho durante o meu aniversário. Nessa volta, porém, não estou triste. A busca incessante por um emprego que marcou o começo do ano me causava um mal estar irascível. Logo, escrevo este texto com alguma antecedência, a fim de garantir que eu tenha algum tempo para publicá-lo no dia correto. Aliás, agora que reparei, publiquei o meu relato anterior no dia seguinte ao meu aniversário.

Se eu pudesse ler as publicações futuras como posso com as passadas, como gostaria que o eu passado estivesse lendo isso! Se o pudesse, lhe diria: obrigado! Obrigado por ter usado tão bem o tempo de ócio com o aprendizado.

Não há sensação melhor do que ser grato pelo passado.

Por dez anos, temi a hora em que eu completasse 30 anos. Talvez pelo frequente relato de amigos meus que completaram essa idade, talvez por conta de seus ares tristes, temia quando fosse a minha vez de trintar.

Mas, afinal, isso não é tão ruim. O corpo não dói tanto quanto eu esperava. Na verdade não dói de todo. Não me sinto velho. Na verdade ainda sou jovem, ainda aprendo e faço planos. Sim, sei o meu lugar; já não tenho mais tanto tempo quanto aos 20 anos. Meu poder de mobilização coletiva já não é o mesmo. De qualquer forma, agora só preciso mobilizar a mim mesmo.

Além do mais, consegui tudo o que eu queria aos 20. Tenho um livro publicado, a graduação que eu queria e um amor tranquilo. Também aprendi tudo o que eu desejava. Sou um poliglota, um autodidata e sei escrever bem; e sei amar, sei resolver problemas e não temo o trabalho, por mais que eu costume protelar tudo.

Sim, a graduação demorou mais do que eu imaginava, mas isso não é ruim. Na verdade minha jornada teria sido bem diferente caso tivesse concluído o curso no tempo esperado. Se eu tivesse colado grau ano passado, por exemplo, não teria conhecido a linda área que é o ensino de Português como Língua Estrangeira. Talvez nunca teria tido contato tão próximo com gente de África e da América Latina; talvez não teria aprendido tanto francês com os primeiros e aprendido tanto do meu povo com os segundos; talvez minha monografia teria sido bem mais trabalhosa, já que sob mais pressão.

E o que era previsível aconteceu: estou cada vez mais descrente do poder transformador da internet.

De qualquer forma, acho que as redes sociais (mesmo as fediversais) já não cabem mais na minha vida. Performar uma identidade, preocupar-se com alcance de público, interagir com gente estranha a qual nunca se verá na vida ou da qual se saberá muito pouco, entreter-se com o entretenimento do outro, “compartilhar”, “comentar”, “favoritar” ― que forma mais estúpida de passar as horas! E não se falem nem nas plataformas de entretenimento. Atravessar as horas rolando conteúdo efêmero e de baixo nível de informação ― que forma mais estúpida de passar a vida!

Definitivamente, nada disso é socializar, e está longe até de ser uma extensão da vida social...

Talvez a partir de agora eu me dedique mais a este ou outros blogues que eu venha a criar. O blogue é o marco zero da internet; é simples, de baixa manutenção, organizável, acessível para quem escreve e para quem lê; ao lado do mensageiro, do telefone e do e-mail, é o fio mínimo entre a vida e o virtual; lento, é o antídoto perfeito para FOMO. Slow-web.

Temo ficar antiquado? Com certeza. Mas o tempo confirmará que a luta que assumi era a que me cabia, i.e., a luta pela reinvidicação por uma vida simples e lenta.

Mas agora a internet é só o lugar aonde vou quando preciso ganhar dinheiro ou perder tempo. Nada mais. Game over! Que pena... Vamos tomar uma cerveja?

Afinal de contas, me interessa mesmo é a vida. Sou um ser concreto, que se fascina pelo real. Por isso mesmo me interessa tanto o Budismo. Por isso mesmo me interessam tanto o analógico, o offline, o protodigital, o ordinário, o imanente. Por isso me interessam tão pouco (agora mesmo quase nada) a internet, a fantasia, a psicodelia, o transcedente, o entorpecente. Sonho com o dia em que o onírico não se separará do empírico. Aí, sim, vivo pleno. Hoje mesmo já não sonho quando durmo; a noite é simplesmente um véu negro que cobre o meu rosto. O sonho é um mistério que já não me seduz. E, bom, não faz mal, porque, como dizia o cancioneiro cearense,

A minha alucinação é suportar o dia a dia, e meu delírio é a experiência com coisas reais.

Leia o último relato de aniversário.

#cotidiano


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Um homem de pé diante de um computador de mesa; ao fundo, um espaçoso apartamento

Imagem: cena de “Her” (2013).

Ressalva. Em meados deste ano, assisti ao filme “Her” e durante a assistida, redigi algumas notas em um gravador de voz, a partir das quais eu gostaria de organizar uma crítica melhor organizada. Como o filme já foi bastante discutido, decidi que não valeria a pena tanto o esforço ― além de que as notas, como vocês verão, estão suficientemente estruturados, apesar da coloquialidade que não é comum na minha escrita. Por conta do filme ser bastante conhecido, me abstenho de qualquer introdução sua. Tentei deixá-las quase da mesma forma que foram transcritas automaticamente, somente com algumas adições e revisões de algumas expressões que o programa áudio-transcritor não conseguiu compreender bem.

Notas de voz sobre “Her” (2013)

Após 12 anos, desde o lançamento de “Her”, estamos cada vez mais próximos de criar um sistema operacional baseado em inteligência artificial. Então é a hora de discutir como poderia ser essa inteligência artificial.

Nas primeiras vezes em que lhe assisti, encantou-me a estética, sobretudo a fotografia e o setape de computadores que aparecem no filme. Todo o longa-metragem foi recebido por mim e por outros tecnófilos quase como uma espécie de futuro desejado.

A partir do atual estado de arte da sociedade e da tecnologia ― e sobretudo da inteligência artificial ―, outros lampejos me surgiram. Chamou-me atenção em especial em como é representado sua sociedade: inapta a expressar amor, necessitada de um redator profissional para redigir cartas afetuosas, uma necessidade provinda sobretudo de pessoas mais velhas. Além disso, há nesse cenário um fundo pouco explícito, mas hoje em dia conjecturável por conta das BigTech, no qual empresas lucram com solidão em massa.

Mas, por outro lado, vejo um ideal de relação entre tecnologia e seres humanos em “Her”: uma relação amigável, de acolhimento e de confiança, na qual o dispositivo é sobretudo uma ferramenta responsiva, ainda que tenha “sentimentos”.

Nota-se que a voz é o maior meio de orientar de comunicação com o computador, o que torna o filme mais envolvente. O som é um veículo mais acolhedor do que a visão, requer mais participação de quem tem contato com o veículo, o que faz todo o sentido no contexto do filme. Uma interface puramente visual tornaria o filme mais abstrato e menos envolvente.

Outra coisa também muito interessante sobre esse filme é que, apesar de ele ter sido feito em 2013, em um período da ascensão das redes sociais, quando redes como o Facebook e o Twitter estava em alta, o diretor preferiu não as citar. A maior parte do tempo, as personagens do filme falam em e-meios e mesmo o e-meio é um veículo de notícias, então eles têm a newsletter como um veículo de comunicação de massas também.

Essa escolha é lógica, eu creio que tenha a ver com o fato de que as redes sociais naquele tempo já eram um veículo muito abrasivo e, eliminando-as, a gente teria um filme mais cozy, essa coisa agradável, acolhedora, né? Sem tanta abrasividade, sem um cenário tão corrosivo que as redes sociais promovem.

Tem algo também que me incomoda muito nesse filme, que explica o seu sucesso entre os homens, é que da personagem protagonista, um homem sensível, feminino, não se têm suas fragilidades mostradas no filme; a gente não entende porque é tão rejeitado, como é que ele tem tanta dificuldade com a sua relação com as mulheres.

Um dos perigos que “Her” mostra certamente. Primeiro, que as empresas de tecnologia poderiam lucrar com a nossa solidão e com a nossa carência. Isso é indiscutível. Mas também relembra a importância de que, apesar da inteligência artificial, a gente mantenha a tecnologia em sua função de ferramenta, e não de brinquedo ou de meio de entretenimento. Afinal de contas, tudo no filme começa a desandar quando Theodore passa a se distrair com a “humanidade” sintética de “Samantha”, como é chamado o computador.

Acho que é importante também lembrar que Sam Altman designou uma IA sua, a partir do conceito de “Her”. Isso faz pensar sobre como a gente tem que cuidar com a própria gramática visual dos nossos filmes criticando da tecnologia.

Também percebo como algumas discussões são azeitadas no filme como, por exemplo, a questão da criatividade, não é? Em dado momento, quando o protagonista está em um passeio com seu computador, este compõe uma peça musicial que “combina com a situação”. Por nenhum no momento Theodore pensa sobre como a arte produzida por Samantha é sintética, sob quais parâmetros ela é designada.

Então há uma certa aceitação sobre a criação por um inteligência artificial nesse cenário. Porque também ajuda a promover a IA com uma coisa positiva, cria toda essa gramática visual de “tecnopositividade” e seduz as pessoas, inclusive, né? Azeita a crítica a respeito da tecnologia.

Eu gosto desse filme também por conta da relação agradável e azeitada com a tecnologia, mas também como ele promove a concepção de uma slow web, de uma slow tech, também por conta do e-meio ser o veículo principal de comunicação. Há sempre um momento para se receber notícias, e a IA percebe isso muito bem. Ela sabe o momento de dar certas notícias durante a interação, e isso também é positivo.

#tecnologia #cultura #notas


CC BY-SA 4.0Ideias de ChiricoComente isto via e-mailInscreva-se na newsletter


Texto alternativo: um homem de roupa da moda dos anos 1960 manuseando sentado no chão um computador de mesa assentado em um cenário rural

Imagem: Jeff Ball (via are.na). Este sou eu escrevendo esta ideia de Chirico.

Aquela publicação que lanço quando quero escrever sobre o que tenho lido, discutido e pensado sem precisar de algum fio condutor. Provavelmente a última do ano. Até o próximo, estarei pensando em

Um vindouro manifesto

Isso porque penso seriamente em abrir um novo blogue chamado Offpunk, onde eu manteria um diário de bordo mostrando formas de resistir à digitalização, de viver sem a alta tecnologia e abrir caminhos para uma vida desconectada, independente das Big Tech; ou, como nas palavras de Eduardo Fernandes da newsletter Texto sobre Tela (veja a ponte no na seção Linkroll), buscando “a obsolescência como uma estratégia de liberdade”.

Tomo esse nome de empréstimo de um navegador feito para, acima de tudo, funcionar offline, que foi desenhado pelo escritor e desenvolvedor belga @ploum@mamot.fr.

• Offpunk, an offline-first command-line browser.

Mas penso em antes desenvolver um postura e uma estética em cima desse conceito. Penso em organizar referências culturais, apontar exemplos e caminhos nessa direção. O que nele se diferenciaria do “minimalismo digital” é que estaria relacionado a coisas como: voltar-se ao “low tech”, ao comunitário, ao analógico, ao não elétrico, à permacomputação; manter um estilo de vida de anticonsumo; e utilizar a internet de forma mais intencional, seguindo o ritmo da Slow Web. Para tanto, acho que vale pensar também em dispositivos configurados para esse propósito. Nesse sentido um texto do Ploum que traduzi chamado “Um computador feito para durar 50 anos” vai nessa direção.

• “O computador feito para durar 50 anos”, de Ploum (Ideias de Chirico).

Os argumentos são os de sempre: ter uma vida mais balanceada, mais presente, menos vigiada e com os dados menos explorados, sem se abster totalmente, no entanto, dos serviços digitais. Porém, ao contrário da postura neoliberal e individualista de buscar um “detox digital” em prol da produtividade, gostaria de dar um teor político a essa postura, defendendo o acesso à cidadania e ao lazer sem o intermédio do digital, e o direito à privacidade, a uma infância e uma velhice desdigitalizadas e a uma vida lenta.

Estou retirando muitas ideias dos textos que leio do Ploum, do Low-Tech Magazine (também de origem belga inclusive), bem como de um livro chamado “Digital Detox: a política da desconexão” (da escritora norueguesa Trine Syvertsen) ― que, se não me engano, ainda não foi traduzido para português (leio-o em inglês).

Acho que no começo do ano que vem faço ao menos um pequeno ”manifesto offpunk”, que pretendo traduzir em inglês e em francês. Escrevo isso mentalmente até lá. Aliás, o Ploum mesmo já se propôs a me ajudar na escrita.

Ainda sobre tecnopunkicidades...

Incrível como o simples fato de eu não acessar o Instagram faz algumas pessoas pensarem que sou um eremita, que vivo nas cavernas.

O produtor gráfico do meu livro falou mais cedo:

Não se você sabe, já que não usa mais o Instagram, mas aqueles casos de feminicídio estão sendo bastante discutidos...

(Eu li e ouvi sobre os casos pelo rádio, pela televisão e por podcasts ― com algum atraso talvez, mas soube no meu tempo).

Espera só para ouvir o que vão falar quando eu apagar meu perfil da plataforma... O que está me segurando lá é o que me faz refletir.

Ouvindo sobre o Pessoa

Não tenho falado muito de literatura neste blogue, mas me peguei muito preso neste episódio do podcast 451 FM, da revista 451:

451 MHz: # 174 Fernando Pessoa: todos os sonhos do mundo — 90 anos da morte do poeta.

Não sou muito de Fernando Pessoa, curto mais o que ele influenciou. Posso não gostar de Pessoa, mas gosto de quem gosta de Pessoa. Então por tabela gosto de Pessoa.

Mas o que se diz a respeito do autor nesse episódio fez-me ficar ainda mais interessado pela sua única obra que me interessa, “Livro do Desassossego”.

O livro são várias anotações do diário de Bernardo Soares, um pseudônimo pessoano, um “simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa”. Trata-se de uma “narrativa sem narração” ― alguns diriam uma prosa poética, outros um romance moderno. Na primeira vez em que o folheei (há dez anos), me agradou o caráter fragmentário e imagético do livro. Nas aulas de literatura portuguesa do curso de Letras, nosso professor sugeriu que lêssemos não linearmente, pulando à página do nosso gosto.

Mas voltando ao episódio da 451 em si, recomendo a escuta mesmo àqueles que já conhecem o autor português. Acho que há uma infinidade de coisas sobre as quais não sabemos tão facilmente e que o áudio-programa destrincha bem. Infelizmente, até por conta da ocasião do aniversário de morte do poeta, não tocaram no seu discurso racista.

Fast web

Estou prestes a enviar um meme por e-meio. Este é o atual estado digital.

Já disseram que parei no tempo. Só estou cansado de fast web.

Desejos para 2026

  1. usar mais dinheiro vivo, pois detesto depender de eletricidade e de internet para pagar minhas coisas em balcões;

  2. arrumar um “trabalho de verdade” (com alguma formalidade e constância);

  3. estar cronicamente offline;

  4. encerrar a imersão no francês (ano que vem completará dois anos que estou nesse idioma);

  5. e começar a estudar alemão.

(“Desejos”, porque quem tem meta é empresa).

O desconhecido na língua estrangeira

Por que é menos desesperador ver uma palavra desconhecida na língua materna do que ver uma palavra desconhecida em língua estrangeira?

Estava aqui dando uma lida no meu agregador de RSS e fui clicando nas notícias. Aquelas em inglês eu batia o olho e na primeira palavra estranha eu desistia e ia para a próxima notícia. Aquelas em português, mesmo que eu não soubesse o que significava o termo, seguia na leitura.

Já tenho uma boa jornada com inglês, e sei que com paciência eu saco o significado das palavras na hora. Um dicionário médio também serve. Ainda assim, tenho muita resistência a ler nessa língua. Não sou capaz de dizer agora se o mesmo acontece em outras línguas que aprendi.

Será que isso acontece só comigo? Duvido.

Questão de didática (sobre outros punks)

Pergunto-me por que os punks dos anos 2000 não chamavam o “sistema” simplesmente de “capitalismo”. Isso seria bem mais didático.

Linkroll

Seção em que faço uma curadoria de pontes que encontro pela internet.

Ouvi falar que o Pinterest tem enchido a si mesmo de lixo de IA. Tenho-lhe um substituto: are.na.

A plataforma é autodescrita como um lugar de “playlists, só que de ideias” ou “um palácio de memórias da internet”. Em poucas palavras, é um recanto de curadoria, seja de música, de sítios web, de imagens ou de vídeos ― algumas listas têm tudo isso junto e misturado.

Outra vantagem do Are.na é o seu repositório. Algumas listas datam de 2014. Ah, e não precisa de conta para navegar e nem tem loginwall como o Pinterest.

Esqueci de publicar essa ponte no último linkroll: um sítio lindíssimo mostrando com o efeito granulado (dithering) funciona. O efeito granulado, para quem não conhece, é uma forma de tornar uma imagem mais leve, pixelizando-a totalmente no degradê entre duas cores (em geral, preto e branco).

Dithering, part 1 (Visualrambling).

Tornei-me um fã desse efeito desde que comecei a acompanhar as publicações do Low-Tech Magazine, citado lá em cima, ilustradas com imagens em dithering. Cheguei a tentar publicar somente fotos com essa estética aqui nas Ideias, mas dá um baita trabalho editá-las e deixá-las em um servidor estável.

A sedutora, esquisita e colossal beleza da indústria: desde fábricas de bonecas sexuais nos EUA, centros de pesquisa nuclear, fazendas de maconha na Dinamarca e fábricas de sapatos na Indonésia.

The Unintended Beauty of Big Industry in the 21st Century – in Photographs (Flashbak).

Um sítio que divulga notebooks costumizados com adesivos e os organiza por temas:

Stickertop.

Essas artes são bem antigas (de meados da década de 2010), mas acho que ainda vale a divulgação: pôsteres imaginando propagandas de plataformas de entretenimento e redes sociais como se fossem tecnologias dos anos 1950. Gosto desse estilo retrofuturista e de como plataformas como Youtube e Facebook ainda eram vistas com uma certa simpatia...

Vintage social media ads as retro campaign (Brand Constructors).

Crescer entediado com os celulares está matando o poder transformador do tédio (ihu.unisinos.br).

Texto de newsletter pensando sobre resistência digital a partir da sutil guerra entre tecnologias no filme “Uma batalha atrás da outra” (2025), no qual “aparelhos analógicos aparecem como uma estratégia pra fugir da vigilância digital”.

Geriatria da tecnologia (Texto sobre tela ― Substack).

Considero “Uma batalha atrás da outra”, aliás, como um filme exemplar do que chamo de #offpunk.

Vídeo: “Sesame Street – Computer E/e”.

Citações

O smartphone é hoje um lugar de trabalho digital e um confessionário digital. Todo dispositivo, toda técnica de dominação gera artigos cultuados que são utilizados à subjugação. É assim que a dominação se consolida. O smartphone é o artigo de culto da dominação digital. Como aparelho de subjugação age como um rosário e suas contas; é assim que mantemos o celular constantemente nas mãos. O like é o amém digital. Continuamos nos confessando. Por decisão própria, nos desnudamos. Mas não pedimos perdão, e sim que prestem atenção em nós.

― Byung-Chul Han, filósofo teuto-coreano.

Não há condições de ensinar para uma mosca que mel é melhor do que bosta”

― meu psicoterapeuta.

Se uma árvore cai em um bosque e não há ninguém para a ouvir, ela faz ruído?

― Koan, um exercício mental budista.

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#notas


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