Ideias de Chirico

notas

Cartum em que há um homem sem roupa em frente a uma plateia, que diz 'Cheguei em São Paulo em 1997, só com a roupa do corpo'

Imagem: André Dahmer.

Depois de um período um pouco autocentrado, publicando somente coisas minhas, volto a compartilhar alguns links, dicas e citações que coletei nos últimos ~2 meses. Alguns artigos são de assuntos, digamos, em baixa, mas que não deixam de ter alguma relevância. Outros até que são recentes, mas que passaram batidos por mim, e que pensei que, de qualquer forma, fosse interessante de mostrar ― vai que algum leitor destas Ideias é distraído que nem eu?

Linkroll

A maior parte da população leitora no Brasil é constituído por mulheres não brancas, é o que mostra a pesquisa Panorama do Consumo de Livros.

• Quem consome livros no Brasil? Os dados são surpreendentes (Farofafá).

Diego Lafuente reconstitui o fluxo da informação digital desde a era do BBS e pensa neste belíssimo ensaio como a Web e os hábitos podem se modificar a partir da IA:

I still write because writing helps me think. That may become the main reason to write. Not traffic. Not SEO. Not audience growth. Not discovery through search.

• The web is going to dissapear (minid.net)

Já reparou que os telefones modernos são pouco explorados ou até ignorados nos filmes dos últimos anos? Neste primoroso vídeo-ensaio, Eddache reflete sobre as razões pelas quais os diretores tomam essa decisão.

• Why Are Movies Afraid Of Phones? (Eddache ― Youtube).

Ensaio de Paula Lúcio sobre como a estética do agreste nordestino se formou e como se comunica.

• A gramática visual do sertão (Paula Lúcio ― Substack).

New York Times ranqueia os 48 hinos de nações da Copa (e dá primeiro lugar ao hino brasileiro!)

• Ranking all 48 World Cup national anthems (New York Times).

A arte da tradução, por mais enigmática que seja o sentido dessa expressão, tem, assim, um papel político importante, mas parece que hoje ninguém precisa dela, e não se trata de cinismo, (...) mas, antes, de absoluta impossibilidade de prestar atenção na arte em geral, qualquer que seja ela.

• Trocar tradutores por IA é retrocesso gigantesco para literatura (Dirce Waltrick do Amarante ― Folha de São Paulo).

Artigo bem humorado da Business Insider refletindo sobre as vantagens ~secretas de se ter um Kindle: desde ler “escondido” livros embaraçosos até não evidenciar posições políticas a partir de capas de impressos.

• Read Embarassing Kindle Books in Public (Business Insider).

Dica cultural

Loja de discos. Um homem cabeludo e de camiseta de banda de rock observa com aflição para uma mulher com roupas formais que analisa um disco que pretende comprar.

Cena de “Durval Discos” (2002), com participação especial de Rita Lee.

Ontem assisti outra vez ao “Durval Discos” (2002), um desses filmes brasileiros que, por alguma razão, não é tão conhecido, apesar de ser family-friendly e do gênero comédia. Com estreia da diretora Anna Muylaert, é um primor no quesito de técnica de fotografia, trilha sonora (parte de André Abujamra) e escrita de roteiro.

O longa-metragem nos mostra o cotidiano de Durval, um hippie quarentão que mantém uma loja de discos na frente de sua casa em um pacato bairro de Pinheiros, São Paulo, durante o fim dos anos 90. A indústria fonográfica de então investia mais e mais na produção de discos compactos (CD) em oposição aos discos de vinil (LP), a especialidade da loja Durval Discos.

Além do pouco movimento de vendas em seu comércio e da constante cobrança de clientes por CDs, Durval ainda tem que lidar com a gerência da casa. Solteiro, morando com sua mãe já envelhecida, o protagonista decide contratar uma trabalhadora doméstica ― uma jornada que o irrompe de sua rotina. A partir daí, os problemas em sua casa (e até na vida do bairro) escalam pouco a pouco. O clímax de “Durval Discos” foi um daqueles que mais me impactaram nos últimos 10 anos.

Disponível no Youtube.

• Durval Discos – Trailer (Youtube).

Citações

Cartum mostrando um homem sobre um palco de karaokê, atrás dele há o título 'song: 4'33'', artist: John Cage', uma composição na qual os instrumentistas não tocam absolutamente nada. Em primeiro plano há um homem que diz 'Esse cara de novo, não...'

Imagem: asher (via The New Yorker)

Todo mundo quer profetizar o futuro pós LLM baseado em livro de ficção científica, eu prefiro olhar para um campo do conhecimento humano que convive com tais máquinas pelo menos desde a década de 1990: o xadrez. O fato de existirem máquinas que jogam melhor que os humanos não acabou com o esporte e não extinguiu a profissão de enxadrista.

@felipesiles@ayom.media

Meu fácil me enfada. Meu difícil me guia. [...] O que eu sei fazer me entedia; o que não sei fazer me entristece.

― Paul Valéry.

The only way to keep your health is to eat what you don't want, drink what you don't like, and do what you'd rather not.

― Mark Twain.

#notas #tecnologia #cotidiano


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Escrevi o Manifesto Offpunk com @ploum@mamot.fr, mas tomei a liberdade de desenhar os signos que o anunciariam. Como não tenho certeza de que esses estão claros para todos, decidi dissertar um pouco sobre o porquê de minhas escolhas.

Alguns desses comentários vêm de conversas que tive com @diegopds@bolha.us ― que, aliás, escreveu um pouco sobre o meu texto.

O primeiro símbolo que pensei relacionado ao estar desconectado que pensei seria o ícone de rede sem fio com uma haste de proibição. Porém, lembrei já quase de imediato da moda oportunista, e rapidamente caída no ostracismo, da frase “Não temos wi-fi, conversem entre vocês” posta nos cafés e restaurantes dos primeiros anos da Web 2.0.

Queria, então, trabalhar com uma ideia ambígua a partir desse ícone, que não o anulasse, mas que, ao mesmo tempo, o subvertesse. A melhor opção, então, seria invertê-lo.

Por um lado a rede sem fio invertida lembra um pouco a pirâmide. Aí se estabeleceria um ideograma (isto é, dois ícones cruzados para dar ideia de um terceiro): a inversão por um lado indica que a conectividade sugere um exercício de poder (do usuário, que tem nesta um símbolo de prestígio, mas também das empresas de tecnologia, concentradoras do capital desse mercdo); por outro, “inverter” a rede é uma atitude iconoclasta, análoga a retirar-lhe a importância.

É como os ateus que invertem a cruz cristã. Assim como a cruz cristã invertida, o símbolo “Offpunk” apontam para o chão, para o inferno.

Há uma contradição no meio disso tudo: a internet sempre foi a promessa do transcendente; o sinal de wi-fi, porém, aponta para baixo, o que indicia o terreno e o imanente. O signo do Offpunk não resolve essa contradição, e até o perturba ainda mais: postura que almeja uma presença plena, apontando para cima, tende a dar, por sua vez, ideia de transcendência.

Porém, tudo isso vem de um esforço também de não se definir pela negação. Como dito há pouco, em um primeiro momento, rascunhei uma logo de “Proibido wi-fi”. Isso soaria como um discurso bem conservador. O “anti-tudo” não cria, só descria.

Mas o que me motivou mesmo a mantê-lo é que ele passa a ideia ploumiana de “offline-first”, como expresso em seu “Computador feito para durar 50 anos”. Ao ler o manifesto do Forever Computer, percebi que ir contra a conectividade compulsória e compulsiva não é defender o fim da internet, mas apropriar-se da conectividade e adequá-la ritmo da vida.

Como eu disse no Manifesto, o Offpunk enquanto estética ainda não é estabelecido. O ícone de rede invertida é o primeiro passo nessa direção.

#notas #tecnologia #cultura


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A única forma de tornar a internet descentralizada outra vez é não segurar o leitor em uma mesma página. Por isso compartilho mais um desses compêndios de links que colho por aí nos raros momentos em que estou conectado. Sugiro que os abram sempre a partir de um navegador de computador.

Como ando meio desmotivado para escrever, pensei em organizá-los a fim de ao menos tentar voltar à ativa no blogue.

Já deixo aqui claro que, como passei a divulgar o endereço deste sítio web para meus alunos escolares, de agora em diante tentarei manter uma linguagem mais family-friendly. Não que eu seja um boca-suja, mas, bem... vocês entenderão.

Linkroll

Uma calculadora que estima quanto os anunciantes pagam para se exibirem a você. Para o meu perfil, de alguém que acessa internet por cerca de uma hora por dia, pagam 36 centavos de dólar por hora de anúncio. Parece pouco, mas é mais de R$ 273 por mês. Multiplique isso por... bilhões de pessoas?

Attention worth

Estava lembrando outro dia sobre o sítio web oficial do Décio Pignatari, poeta, tradutor e pensador do Brasil, um dos iniciadores da Poesia Concreta. O espaço virtual foi desenhado pela designer e também poeta André Valias. Das coisas que eu acho mais incrível nesse sítio é a aba de traduções, posta em ordem cronológica. Pignatari contempla em sua obra tradutora mais de dois mil anos de poesia.

SITE OFICIAL ― DÉCIO PIGNATARI

Ainda sobre Poesia Concreta, um sítio com o acervo de todas as edições da Revista Código, uma das revistas nas quais os poetas concretos publicavam suas poesias. Para quem curte design e poesia de vanguarda, são um prato cheio de inspiração. Sempre que tenho um tempinho, dou uma visitada na Revista Código.

codigorevista.org

Campanha publicitária da Forbrukerradet (tente pronunciá-lo), um “conselho de cliente” norueguesa, satirizando a emerdificação digital através de um personagem que escalou na vida piorando produtos que já funcionavam bem.

A Day in the Life of an Enshittificator (Youtube)

“Combata o Câncer” é uma campanha da VML Health e da Fuck Cancer com uma ideia inusitada: eles sugerem que você, homem, “descabele o palhaço” 21 vezes por mês. Por quê? Pesquisas mostram que, com essa frequência ~orgásmica, pode se reduzir o risco de câncer de próstata em até 22%. Não exagere na estatística.

Beat Cancer Off (letsfcancer ― Youtube)

“Televisão, o olho do amanhã” é um curta-metragem francês de 1947 antecipando com humor o desenvolvimento dos veículos de comunicação.

Muitos dos comportamentos encontrados no filme se assemelham a compartamentos provocados pelo smartphone ― que, grosso modo, é a evolução da televisão.

Infelizmente no Youtube só há legendas automáticas em francês. Para quem souber essa língua, vale muito a pena.

Télévision, oeil de demain ― “Televisão, o olho do amanhã”

Artigo da Intercept Brasil com uma entrevista do pesquisador belga Mark Coeckelbergh, da área de Filosofia da Mídia, sobre a atual relação entre as BigTech e o governo estadunidense.

Alguns trechos que me chamaram a atenção:

A diferença [entre fascismo e tecnofascismo], segundo ele [Coeckelbergh], é que, enquanto líderes autoritários como Adolf Hitler lançavam mão abertamente de violência, repressão a vozes dissidentes e dependiam de movimentos de massa para ter legitimidade, o tecnofascismo oferece ferramentas de controle mais silenciosas, menos visíveis e mais precisas: os algoritmos. Diferentemente do fascismo clássico, o tecnofascismo não precisou forçar as pessoas ou criar medo. As ferramentas tecnológicas atuais, como os algoritmos, conseguem saber do que você precisa antes mesmo que imagine. Com isso, as pessoas foram dominadas pelo prazer e pela conveniência oferecidos pela IA e suas corporações, tornando-se seres dóceis e obedientes.

[Mark Coeckelbergh:] Os EUA e o Vale do Silício têm essa ideologia neoliberal, muito anti-Estado, livre-mercado, libertários. Mas ao mesmo tempo, a tecnologia nos EUA é definitivamente financiada pelo governo através do Departamento de Defesa, por exemplo, agora chamado de Departamento da Guerra. Há definitivamente ligações financeiras entre governos e big techs.

Eu defendo uma visão em que os seres humanos se relacionem mais entre si, e um futuro que tenha mais essa característica. Precisamos de tecnologias que são [sic] agregadoras, que unam as pessoas em vez de isolá-las, que permitam ação coletiva, deliberação.

Entrevista: Como a IA abre caminho para o tecnofascismo

Página que mostra textualmente o que o seu navegador está entregando de informação a partir do seu dispositivo. Alternar o link entre dois browsers me mostrou o quanto LibreWolf faz um trabalho decente no que diz respeito à conservação da privacidade...

taken.

Não acompanho tanto a Rádio Novelo, mas curti muito esse episódio em que as locutoras entrevistam um colecionador de correio de voz, um precursor do recado de voz, uma mídia física (disco de vinil e mais tarde fita cassete) gravada nos correios e enviado por carta, muito popular no começo do século passado, em um tempo em que telefone ainda era coisa de alienígena.

Vozes do Além (Rádio Novelo Apresenta)

Citações

Uma coisa que eu gostava quando fazia karatê é que nós, faixas brancas, éramos orientados pelos faixas amarelas, poupando o sensei e os karatecas mais experientes de ficar nos ensinando coisas muito básicas. Eu queria que tudo na vida funcionasse meio que desse jeito. Exemplo: nesse sistema eu seria faixa preta em viajar de ônibus, se você não sabe se esse ônibus vai pra Paulínia ou pra Cosmópolis, pergunta ali pro faixa amarela, não enche a p* do meu saco.

@felipesiles@ayom.media

A disputa pela atenção se fragmentou: há mercado para a concentração longa (podcasts, filmes, séries), curta (Shorts, TikTok) e para a difusa (livestreaming). A ideia é ocupar cada microfragmento de vida com mídia.

― Eduardo Fernandes, Texto Sobre Tela

Passam-se três quartos da vida a se preparar para a felicidade; mas não se pode crer que por isso o último quarto se passe na alegria.

André Gide, 1895.

Se os grandes clássicos são eternos, é porque estão sempre se modificando. O rio é mais durável do que o mármore.

― Roland Barthes em “Notas sobre André Gide e o seu Diário”.

#notas


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Imagem de uma cartomante ao lado de uma trabalhadora que sorri; estão em uma sala escura, com seus rostos iluminados.

Cena de “Hora da Estrela” (1986).

Releituras e adaptações ― e samples (e remixes) ― participam ativamente do cotidiano da contemporaneidade. Nada mais pode ser novo, ao mesmo tempo em que nada pode ser singular. Há dessas peças “secundárias” por aí que expandem e mastigam tão bem a “fonte” que até lhe superam em alguns níveis.

É o caso do filme “Hora da Estrela” (1986), de Suzana Amaral, adaptado da novela homônima de Clarice Lispector. A obra literária, que, ao ser lida, dá a impressão de que foi escrita de má vontade (em alguns momentos da vida da autora chegou até a ser renegada), com personagens mal desenvolvidos e “manchada” com uma voz de um narrador às vezes egocêntrico, toma uma vitalidade muito maior na película de Suzana.

Aqui, a protagonista Macabéa é muito mais sensível, sem tomar, no entanto, o centro da narrativa. Há em jogo outras personagens, tão vivas quanto esta: suas companheiras da “pensão para moças”; Glória, sua colega de trabalho; e a cartomante (aliás genialmente interpretada por uma quase irreconhecível Fernanda Montenegro).

O filme tem um tal desenvolvimento de suas figuras, que por vezes parece que o que vemos na maior parte do tempo trata-se, não de uma personagem principal, mas de uma personagem observadora. Aí, mais do que no livro, Macabéa é praticamente engolida por suas pares, permanecendo, inclusive, muitas vezes em segundo plano na fotografia.

É aqui talvez onde resida o fio estruturante da obra: é como se tivéssemos diante de nós um spin-off, a história não contada dos figurantes ao redor da boa-ventura de Glória, a princesinha injustiçada que ganha o final feliz erroneamente prometido a Macabéa.

Como nem tudo é perfeito, o filme carece de uma boa trilha sonora à altura de Macabéa, paralém do ruído da Rádio Relógio ― inclusive outra dessas personagens inauguradas pelo longa-metragem.

“Hora da Estrela” está em exibição nos cinemas por ocasião de seu vindouro aniversário de 40 anos, com restauração do projeto Sessão Vitrine Petrobrás.

#notas #cultura


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Imagem de um homem vestindo terno com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Como é de hábito, sempre que publico um textão, costuro algumas notas.

Para quem ficou interessado pelo Manifesto Offpunk: sim, o escrevi todo em português, mas publiquei em inglês para dar-lhe um maior alcance. Logo mais publicarei a versão original, e mês que vem, se tudo der certo, sai também uma versão em francês, traduzida pelo @ploum@mamot.fr.

Primeira experiência com newsletter

Subscrevi a uma newsletter pela primeira vez. Substack, para variar. Costumava seguir algumas dessas revistinhas por RSS, mas a integração com o protocolo é ridícula, sempre quebra dentro do agregador e, na maioria das vezes, requer conexão ininterrupta ― o que não tem nadas a ver com o éthos do RSS. No ato da subscrição, apareceram mais uns dois popapes pedindo para seguir outras revistinhas. Substack já nasceu emerdificado. Mas a ver como será essa experiência. Ainda preferirei RSS de qualquer modo.

Imagem de um homem vestindo terno com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Um tratado universal para netiquetas

Está mais do que na hora de criarem uma lista universal de netiquetas, da qual independe de plataforma. Eu incluiria uma: se for deixar de seguir uma pessoa, bloqueie e desbloqueie em seguida, a fim de tirá-la da sua lista de seguidores. Isso é básico.

Porque precisamos garantir o não digital

Forçaram tanto os mais velhos a usar um smartphone, que agora os coitados não sabem nem ligar o aparelho quando ele desliga, puxar cortina de configurações ― nada. Uma senhorinha que mantém um sítio na fronteira entre Piauí e Ceará estava me pedindo ajuda porque entrou na aba de “Whatstatus” e não sabia voltar para o chat. Esse é o nível de desbalanço em que nos colocaram. Praticamente jogaram os idosos na digitalização e eles levam caldo da tecnologia todo santo dia.

Imagem de uma mulher vestindo roupa formal com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Linkroll

Artigo da Intercept Brasil com uma entrevista do pesquisador belga Mark Coeckelbergh, da área de Filosofia da Mídia, sobre a atual relação entre as BigTech e o governo estadunidense.

Alguns trechos que me chamaram a atenção:

A diferença [entre fascismo e tecnofascismo], segundo ele [Coeckelbergh], é que, enquanto líderes autoritários como Adolf Hitler lançavam mão abertamente de violência, repressão a vozes dissidentes e dependiam de movimentos de massa para ter legitimidade, o tecnofascismo oferece ferramentas de controle mais silenciosas, menos visíveis e mais precisas: os algoritmos. Diferentemente do fascismo clássico, o tecnofascismo não precisou forçar as pessoas ou criar medo. As ferramentas tecnológicas atuais, como os algoritmos, conseguem saber do que você precisa antes mesmo que imagine. Com isso, as pessoas foram dominadas pelo prazer e pela conveniência oferecidos pela IA e suas corporações, tornando-se seres dóceis e obedientes.

[Mark Coeckelbergh:] Os EUA e o Vale do Silício têm essa ideologia neoliberal, muito anti-Estado, livre-mercado, libertários. Mas ao mesmo tempo, a tecnologia nos EUA é definitivamente financiada pelo governo através do Departamento de Defesa, por exemplo, agora chamado de Departamento da Guerra. Há definitivamente ligações financeiras entre governos e big techs.

Eu defendo uma visão em que os seres humanos se relacionem mais entre si, e um futuro que tenha mais essa característica. Precisamos de tecnologias que são agregadoras, que unam as pessoas em vez de isolá-las, que permitam ação coletiva, deliberação.

• Entrevista: Como a IA abre caminho para o tecnofascismo

Imagem de uma mulher vestindo roupa formal com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Campanha publicitária da Forbrukerradet (tente pronunciá-lo), um “conselho de cliente” norueguesa, satirizando a emerdificação digital através de um personagem que escalou na vida piorando produtos.

• A Day in the Life of an Enshittificator (Youtube)

“Combata o Câncer” é uma campanha da VML Health e da Fuck Cancer com uma ideia inusitada: eles sugerem que você se masturbe 21 vezes por mês. Pesquisas mostram que essa frequência de ejaculação pode reduzir o risco de câncer de próstata em até 22%:

Beat Cancer Off (letsfcancer ― Youtube)

“Possíveis distúrbios cognitivos-comportamentais induzidos pela tecnologia”, é um esquema satírico feito pela VIZsweet e com apoio da @infoisbeautiful@vis.social, que nos faz pensar na nossa relação com tecnologias e dispositivos eletrônicos em geral

“Possible tech-induced cognitive-behavioural disorders” (Information is Beautiful)

Não gosto tanto de ouvir Rádio Novelo, mas curti muito esse episódio em que as locutoras entrevistam um colecionador de correio de voz, uma mídia física (disco de vinil e mais tarde fita cassete) gravada nos correios e enviado por carta, muito popular no começo do século passado, em um tempo em que telefone ainda era coisa de alienígena.

Vozes do Além (Rádio Novelo Apresenta)

Imagem de um homem vestindo terno com o corpo contorcido sobre um terraço em Nova York. Fotografia de Robert Longo

Imagem: Robert Longo ― via Flashbak

Uma calculadora que estima quanto os anunciantes pagam para se exibirem a você. Para o meu perfil, pagam 36 centavos de dólar por hora de anúncio. Parece pouco, mas é mais de R$ 273 por mês.

What's Your Attention Worth | The Ad Spend Calculator

Sítio oficial do Décio Pignatari, poeta, tradutor e pensador do Brasil, um dos iniciadores da Poesia Concreta. O espaço virtual foi desenhado pela designer e também poeta André Valias, no aniversário de morte de 10 anos do Décio, em 2022. Das coisas que eu acho mais incríveis nesse sítio é a aba de traduções, posta em ordem cronológica; as traduções do DP vão de Safo à Tsevetaeva, quase dois milênios de poesias...

SITE OFICIAL ― DÉCIO PIGNATARI

Ainda sobre Poesia Concreta, um sítio com o acervo de todas as edições da Revista Código, uma das revistas nas quais os poetas concretos publicavam suas poesias. Para quem curte design e poesia de vanguarda, são um prato cheio de inspiração. Sempre que tenho um tempinho, dou uma visitada na Revista Código.

codigorevista.org

Citações

Uma coisa que eu gostava quando fazia karatê é que nós, faixas brancas, éramos orientados pelos faixas amarelas, poupando o sensei e os karatecas mais experientes de ficar nos ensinando coisas muito básicas. Eu queria que tudo na vida funcionasse meio que desse jeito. Exemplo: nesse sistema eu seria faixa preta em viajar de ônibus, se você não sabe se esse ônibus vai pra Paulínia ou pra Cosmópolis, pergunta ali pro faixa amarela, não enche a porra do meu saco.

@felipesiles@ayom.media

(Abro uma pausa parentética para uma “digressão curiosa”, qual seja concernente ao destino de certas pessoas em relação ao próprio nome. Esse Schoenmaekers, por exemplo: seu nome, provável corruptela “melhorada” de “schömaekers” ― “sapateiro(s)”, em holandês quer dizer “fazedor(es) do belo”... Edgar Poe tinha o destino inscrito no próprio nome: poe(ta), poe(t). Contraditório o destino de outro grande poeta de nosso século, Ezra Pound. Com prenome bíblico, apoiou o fascismo de Mussolini e foi acusado de anti-semitismo; filho de Homer Pound (que foi funcionário da Casa da Moeda estadunidense), chegou a escrever ensaios e panfletos sobre a reforma monetária, para não dizer que o tema da usura é um dos temas centrais de seu poema épico, The cantos (Pound, como se sabe, quer dizer libra) Já Mallarmé (= “mal armado”) sofreu desde os bancos escolares, fez do erotismo um de seus temas fálico-secretos. Para acréscimo de seus males, era de baixa estatura ― e mais sofreria ainda por sua obra, objeto de ataques constantes e até rasteiros. Fernando Pessoa negou o nome, dividindo-se em outras pessoas e outros nomes ― os famosos heterônimos (Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Albero Caeiro). Waldemar Cordeiro, com seus 1,90 m de altura, foi o rebelde e agressivo líder dos artistas concretos de São Paulo, na década de 50. E Mondrian, ao ouvir e pensar o seu nome à francesa, não podia deixar de pensar, ver e ouvir “Monde/Rien” [Mundo/Nada]

― Décio Pignatari em “Semiótica da Arte e da Arquitetura”.

#notas


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Nas últimas Notas Costuradas eu havia anunciado a página Recados, onde faço comentários mais curtos e despretensiosos.

Uma leitora destas Ideias, porém, pede que eu não largue as ~notas das Notas Costuradas, uma vez que as atualizações da página Recados não vão para o RSS. Por outro lado, vejo que essa mesma página não recebe tantas visitas.

Tentarei resolver esse dilema por um meio-termo: mantenho as atualizações, quase na mesma frequência com que eu mantinha meu perfil de microblogue fediversal; ao mesmo tempo as republico nas Notas Costuradas, só que com um pouco mais de desenvolvimento.

Além dessa ressalva, queria dizer publicamente que a partir de agora estou mais comprometido com a escrita de prosa ficcional ― ou algo assim. Há um tempo tenho me interessado por crônica, esse gênero que representa tão bem o Brasil.

A última publicação foi algo nesse sentido. No entanto, está mais próxima de um conto do que de uma crônica; mas já é algum exercício. Tenho pensado seriamente em partir para o pastiche, imitando mestres cronistas que admiro, como Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade e Décio Pignatari (esse Pelé da crônica). Essa foi a técnica que adotei para aprender/apreender poesia, que busquei registrar através do meu livro autopublicado “Estudando Poesia”. Funcionou para este tipo de literatura. Espero que funcione para a prosa.

É isso. Sigam na leitura:

Ainda sobre dilemas

Configuro um software para transcrever minhas notas em áudio, o Speech Note. Eu costumava utilizá-lo antes de formatar o computador. Como voltei a gravar mais áudios como forma de “sentir que estou escrevendo”, decidi baixar o programa e prepará-lo.

Ele é uma mão na roda, mas que está tomando muito tempo. Às vezes penso se não seria melhor escrever somente com os recursos primários ― papel, caneta e cabeça ―; que o desenvolvimento de ferramentas de escrita na verdade está é complexificando uma coisa que é simples: escrever. Digo, não escrever em si, mas: passar uma mensagem para outra pessoa.

De qualquer forma, gosto de experimentar novas ferramentas, e sempre o enfatizei aqui. Talvez o que esteja me aborrecendo seja a curva de aprendizado que cada ferramenta me toma. Um baita dilema. Quem domina somente os instrumentos básicos não passaria por isso. Porém, eu que domino instrumentos alternativos, digo: por que não reinventar aquilo que já está dado como definitivo, uma vez que cada instrumento é determinante para o texto?

Blogues x Newsletters

Rolando pelo Lerama, posso dizer com toda a certeza: blogues têm mais molho do que newsletters. Felizmente ainda há alguns desses últimos que se salvam, mas em geral os demais parecem mais revivais do Tumblr, soa algo da adolescência tardia, uma poesia barata aqui, uma fotinha bonitinha ali, um desabafo praculá. Uma breguice só.

E escrevem muito mal. Não consigo terminar a maioria dos textos que começo a ler, não há cadência na escrita, não há costura alguma, textos que andam em círculos sempre, sempre redundantes e cheio de clichês. Ler o primeiro parágrafo e ler qualquer outro não faz diferença. Dá igual.

O mais engraçado de tudo é que “newsletter” só se resume a Substack. Só tem essa plataforma de newsletter por acaso? (E nem o povo do Fediverso para divulgar mais o Ghost...). Quando as pessoas se referirem a toda e qualquer newsletter como “Substack”, quero só ver...

Ainda sobre polarizações

Rolo pelo Lemmy. Claramente há uma grande cisão entre um Fediverso “shitposting” e um Fediverso discursivo. Os lemmyanos diferenciam esses dois polos (que raramente se tocam) como “blogoverso” e “fioverso”, respectivamente.

No período em que estive dentro do Mastodon e outras plataformas de microblogue, sentia falta exatamente desse ímpeto de debate, que eu via em comunidades anglófonos ou italófonos. Pode ser também que isso seja algo cultural, que o Fediverso brasileiro não curta mesmo discutir. Quando descobri que era possível publicar em comunidades mais verborrágicas, como Lemmy e Friendica, mesmo sem ter conta nessas plataformas, fiquei mais tranquilo.

Espero que a esta altura do campeonato, os dois polos estejam um pouco mais integrados. Isso não é tão visível a partir do chamado “fioverso”.

Proton Mail não vale o que sai da bunda

Troquei o meu serviço de e-mail. O Proton estava praticamente com o espaço esgotado. Decidi trocá-lo porque o Proton só disponibiliza 1GB de armazenamento de mensagens. Quando comecei com o serviço, era até suficiente. Dois anos depois, já está lotado.

Então pensei “Bom, já que é para trocar, vou tentar um outro serviço que tenha outros recursos”. Decidi assumir um Disroot, porque ele permite logar em clientes de terceiros, como Thunderbird. Através do Thunderbird, é possível manter mensagens em modo offline, e agendar seu envio.

O Proton não o permite. Simplesmente. Para tanto, é necessário um tal de Bridge sei-lá-o-quê-das-quantas, que só é acessível por uma conta premium. Só é possível ver e-mails via desktop pelo webmail. “Até aí, tudo bem”.

Agora, com a conta nova criada, o que se faz? Configura-se o encaminhamento automático para o endereço novo, que será utilizado como primário. Negócio tranquilo, coisa de rotina. Fi-lo diversas outras vezes com contas Gmail.

E eis que para a minha surpresa, acabo de saber que Proton não permite encaminhamento automático em um plano gratuito. A principal suíte privativa anti-Google tem táticas de marketing que faria um CEO techbro ter espasmos de tesão.

Felizmente, os demais serviços da Proton são decentes. Mas em matéria de jardim murado, Proton é docente.

América do Sol

Tenho trocado o café por suco. Às vezes paro e penso e me pergunto por que diabos esse fetiche por bebidas quentes em um país calorento como o nosso. Faz mais sentido utilizar a comida e a bebida para nos resfriar...

Faço das palavras do Rodrigo Ghedin as minhas:

Por que aquele chapéu em formato de cone, típico na Ásia (Vietnã, China), não é usado no Brasil? Esse Sol de rachar... O chapéu é tipo um guarda-sol pessoal. Seria estranho se eu usasse um?

Aliás, aqui em casa tenho esse chapéu (chamado de “nón lá”) que comprei por míseros R$ 20,00 em Salvador, e pretendo usá-lo com mais frequência até que eu me sinta mais confortável. Já o usei algumas vezes e é bem agradável, parece até feito para o nosso clima.

Blogue + e-mail = liberdade

Se você tem um sítio pessoal ou um blogue, peço encarecidamente: divulgue o seu e-mail. Da forma mais objetiva possível. Nem todo mundo está interessado em lhe seguir via rede social, mas sim interagir de par para par ou ao menos mandar um feedback.

Muito se fala no Fediverso sobre combate contra monopólios, mas um e-mail somado a um blogue ou sítio pessoal bate de longe qualquer protocolo alternativo de comunicação no quesito descentralização.

Linkroll

Ainda sobre blogues e e-mails, @ploum@mamot.fr fala por que não precisamos criar mais protocolos descentralizados e alternativos, mas sim utilizar a atual infraestrutura de forma que não atravesse monopólios tecnológicos.

The biggest lesson I take is that “social networks” are not about protocols but about how we use the existing infrastructure. Microsoft and Google are working hard to make sure you hate email and hate building a website. But we don’t have to obey.

• The Social Smolnet (ploum.net)

Filtro para o OpenStreetMap que exibe instâncias do Fediverso pelo mundo. Já espoilerando: o Brasil atualmente detém cinco instâncias com servidores locais: pixelfed.com.br, mastodon.com.br, burn.this.town, colorid.es, bolha.us. As quatro últimas são comunidades Mastodon.

• Fediverse Near Me (OpenStreetMap)

Belo artigo de opinião do Rodrigo Ghedin sobre o atual movimento de proibição de redes sociais para menores de idade em todo o mundo:

Não existe idade certa para essas coisas. E, ainda assim, tudo isso está normalizado. As pessoas reclamam de estarem viciadas no Instagram ou no TikTok, dos golpes chancelados pelas plataformas em todo anúncio que veem, dos vídeos com cenas atrozes que saltam do mais absoluto nada, e... tudo bem? Continua tudo igual. Talvez devêssemos tratar redes sociais como tratamos o tabagismo no Brasil. Proibidas para menores e com restrições mais severas que atinjam (e beneficiem) a todos.

• Redes sociais afetam adultos também (Manual do Usuário)

Eduardo Fernandes inverte os papéis com a ferramenta generativa: a IA escreve o comando e o autor envia a resposta. Achei um exercício de escrita bastante interessante.

• Gemini e Claude querem que eu fale sobre morte (Texto Sobre Tela).

Gifavetta, artista nômade digital, viajou pelo Brasil registrando dezenas de placas escritas à mão e muros grafitados para criar a Tipografia Vernacular 0800, um repositório de fontes baseado em letras de manuscritos urbanos:

• Tipografia Vernacular 0800 (gifavetta.art)

@lucianohbraga@instagram.com decidiu imprimir suas newsletters favoritas e pregar em uma parede do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Isso me faz pensar que, estamos tão cansados do algoritmo e da tela, que, qualquer chance que tivermos para fruir um texto, mesmo digital, fora desse meio, estaremos dentro.

Isso também me fez pensar em como precisamos criar formas de compartilhar nossas curadorias. A minha já é esta: manter um blogue. Essa é a maneira que encontrei para contribuir para uma deslinearização da experiência na internet.

• Pegue uma news (Instagram).

Uma árvore genealógica dos gêneros musicais, organizados por época, cada qual com uma playlist bem curada. É mais do que um sítio web, é uma peça de arte e de pesquisa séria. Simplesmente viciado nesse espaço!

• The genealogy and History of Popular Music Genres (musicmap.info)

Um medley infinito em estilo Habboo de personagens de cartuns, séries, games, memes e cultura pop em geral dentro de uma espécie de edifício-fábrica. Atualizado esporadicamente. Adorando conhecer memes, os mais obscuros...

• Floor 796

Artigo da Piauí reproduzindo o prefácio de “Um homem chamado Opinião” (de Márcio Pinheiro), escrito por Marcelo Rubens Paiva, autor de “Feliz Ano Velho” e “Ainda Estou Aqui”. O livro retrata a trajetória de Fernando Gasparian, empresário que manteve o jornal Opinião, o qual continha uma postura progressista e de sutil subversão, durante a ditadura militar.

A L&PM Editores publica em abril a biografia Um homem chamado Opinião, de Márcio Pinheiro, sobre a trajetória de Fernando Gasparian (1930-2006). Empresário da indústria têxtil, depois do golpe militar de 1964 foi perseguido e asfixiado economicamente pelo governo devido a suas posições liberais e acabou se exilando na Inglaterra. De volta ao Brasil no início da década de 1970, criou o semanário Opinião, que entre 1972 e 1977 seria um dos principais e mais ousados veículos da imprensa a enfrentar a ditadura e sua censura, como descreve o trecho a seguir do livro, cujo prefácio é do escritor Marcelo Rubens Paiva.

• Um jornal de Opinião (Revista Piauí).

Luciana Morin (@luciana@organica.social) explica o que é o protocolo RSS e faz uma bela curadoria de feeds. Fiquei muito feliz de ter encontrado vários links funcionais de endereços dos quais já busquei um RSS...

• Sabote a economia da atenção construindo sua própria timeline via RSS (O sol na cabeça).

Citações

Como dizia um amigo meu, surrealismo é quando você dá uma surra no realismo.

Bráulio Tavares.

A transição pra vida adulta é marcada pelo dia em que você vai ao centro da cidade comprar agulha pra fogão à gás.

@ivanjeronimo@bolha.one

If this new chatbot is so efficient, why do you need to force your employees to use it? Why do you need to advertise the fact that you are using it? Are you that insecure? If I truly had a powerful tool, I would not talk about it. I would only show it to my employees, asking them to not tell the competition about it. And I will let the employees discover by themselves how efficient it is by giving bonuses to the most efficient.

@ploum@mamot.fr

#notas


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que mais parece um blogroll.

Um notebook submerso na água de rio

Com o novo formato de posts que estou mantendo na aba Recados, não creio que seja muito interessante eu voltar a escrever microposts nas Notas Costuradas. Ao menos desta vez, irei compartilhar somente laços que acumulei nos últimos tempos.

20 palavras japonesas para a chuva

Miya Ando colecionou e ilustrou em livro 2000 palavras e expressões japonesas relacionadas à chuva. O MIT Press publicou ao menos 20 delas no laço abaixo:

• 20 Japanese Words for Rain (The MIT Press Reader).

Algumas dessas expressões são:

Kabashira Tateba, Ame: observar uma nuvem de mosquitos ― sinal de chuva;

Giu: chuva falsa;

Ama ga Nukeru: o céu abre, aí chove canivetes;

Kitsune no Yomeiri: o dia quando as raposas têm a sua cerimônia de casamento (talvez se referindo à chuva com sol);

O que é interessante nesse tipo de texto é notar o quanto as línguas se adequam ao ambiente do falante. É como pensar nos dialetos nordestinos e na quantidade de expressões que se tem para falar do sol, do calor e das formas do vento.

Arrobas Pralamentar

Sítio que divulga nomes de parlamentares que votaram em projetos de lei impopulares e suas formas de contato (e-mail e redes sociais), além de outras informações, como partido político e onde foi eleito.

• Arrobas Pralamentar: O pior congresso da história, por enquanto...

Um soco inglês com materiais imitando dentes e gengiva

O quão pior a internet pode ficar?

A teoria da enshittification de Cory Doctorow parte da premissa de que criamos uma maravilha tecnológica e que a ganância corporativa a arruinou. Mas e se não for esse o caso?

Resenha do romancista e ensaísta estadunidense Jacob Bacharach do livro “Why Everything Suddenly Got Worse and What to Do About It”, de Cory Doctorow.

• O quão pior a internet pode ficar?, por Jacob Bacharach (Carbono ― UFRGS)

Linhas nada positivas sobre o livro, mas reflexões muito boas. Me junto completamente à “resenha desta resenha” escrita pelo sol2070.

Computação e ergonomia

When interfacing is painful, change yourself or change the computer? The Body and The Computer: Customizations, hacks, unlikely imaginings. How we make computers and computers make us.

Um bloco do Are.na que encontrei outro dia. Uma coletânea de imagens com projetos de ergonomia computacional ou de computação curiosa. Um “bloco” seria o conjunto de ideias, laços, pdfs, vídeos e sons que cada usuário do are.na reune em torno de um só recipiente. O Are.na é um sítio ao qual vou quando quero explorar, recomendo bastante.

• Are.na / Fletcher Bach / Ergonomic Computing

Smartphones fantásticos

Uma série de instalações interativas desenvolvidas por estudantes do bacharelado em Design de Mídia e Interação do Écal, investigando de maneira crítica e distanciada nossa relação com os smartphones e a maneira com a qual eles influenciam nosso comportamento cotidiano.

• Fantastic Smartphones (École Cantonale d'Art de Lausanne ― ÉCAL)

Mantendo os disquetes vivos

Há uma corrida contra o tempo para salvar tesouros históricos presos em antigos disquetes

Matéria da Folha de São Paulo falando sobre o trabalho hercúleo de pesquisadores para manter o arquivo digital do cientista Stephen Hawking, que foi um early adopter do computador pessoal e sempre salvou suas coisas em mídias removíveis ― agora abandonadas.

• Os disquetes esquecidos de Stephen Hawking por trás da corrida para evitar 'Idade das Trevas' digital (Folha de São Paulo).

Quem olhará pelos orelhões?

Pequeno documentário amador sobre a história dos telefones públicos no Brasil, os chamados “orelhões”.

Desde que vi este vídeo, peguei uma obsessão por “retrotelefonia”, telefones fixos, memórias associadas à ligações etc. Ando até mesmo pensando em comprar um telefone fixo. Me julguem!

• O auge e a queda dos orelhões no Brasil (Canal 90 ― Youtube).

Uberizando

Texto dA Pública mostrando os critérios absurdos da Uber para cobrar mais em viagens ― ao tempo que paga menos aos motoristas.

• O que você deve fazer para pagar menos no Uber – e aprender no caminho (Natalia Viana ― A Pública)

Geriatria da tecnologia

Como o filme Uma Batalha Após a Outra retrata a guerra entre tecnologias.

Eduardo Fernandes reflete sobre como temos de lidar com camadas e mais camadas de tecnologias e como velhas tecnologias estão se tornando “resistência” na era da ultradigitalização.

Geriatria da tecnologia (Texto Sobre Tela ― Substack).

Cada homem é árbitro de suas próprias virtudes.

― William Faulkner em “O Som e a Fúria”.

#notas #cultura #tecnologia


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Um homem de pé diante de um computador de mesa; ao fundo, um espaçoso apartamento

Imagem: cena de “Her” (2013).

Ressalva. Em meados deste ano, assisti ao filme “Her” e durante a assistida, redigi algumas notas em um gravador de voz, a partir das quais eu gostaria de organizar uma crítica melhor organizada. Como o filme já foi bastante discutido, decidi que não valeria a pena tanto o esforço ― além de que as notas, como vocês verão, estão suficientemente estruturados, apesar da coloquialidade que não é comum na minha escrita. Por conta do filme ser bastante conhecido, me abstenho de qualquer introdução sua. Tentei deixá-las quase da mesma forma que foram transcritas automaticamente, somente com algumas adições e revisões de algumas expressões que o programa áudio-transcritor não conseguiu compreender bem.

Notas de voz sobre “Her” (2013)

Após 12 anos, desde o lançamento de “Her”, estamos cada vez mais próximos de criar um sistema operacional baseado em inteligência artificial. Então é a hora de discutir como poderia ser essa inteligência artificial.

Nas primeiras vezes em que lhe assisti, encantou-me a estética, sobretudo a fotografia e o setape de computadores que aparecem no filme. Todo o longa-metragem foi recebido por mim e por outros tecnófilos quase como uma espécie de futuro desejado.

A partir do atual estado de arte da sociedade e da tecnologia ― e sobretudo da inteligência artificial ―, outros lampejos me surgiram. Chamou-me atenção em especial em como é representado sua sociedade: inapta a expressar amor, necessitada de um redator profissional para redigir cartas afetuosas, uma necessidade provinda sobretudo de pessoas mais velhas. Além disso, há nesse cenário um fundo pouco explícito, mas hoje em dia conjecturável por conta das BigTech, no qual empresas lucram com solidão em massa.

Mas, por outro lado, vejo um ideal de relação entre tecnologia e seres humanos em “Her”: uma relação amigável, de acolhimento e de confiança, na qual o dispositivo é sobretudo uma ferramenta responsiva, ainda que tenha “sentimentos”.

Nota-se que a voz é o maior meio de orientar de comunicação com o computador, o que torna o filme mais envolvente. O som é um veículo mais acolhedor do que a visão, requer mais participação de quem tem contato com o veículo, o que faz todo o sentido no contexto do filme. Uma interface puramente visual tornaria o filme mais abstrato e menos envolvente.

Outra coisa também muito interessante sobre esse filme é que, apesar de ele ter sido feito em 2013, em um período da ascensão das redes sociais, quando redes como o Facebook e o Twitter estava em alta, o diretor preferiu não as citar. A maior parte do tempo, as personagens do filme falam em e-meios e mesmo o e-meio é um veículo de notícias, então eles têm a newsletter como um veículo de comunicação de massas também.

Essa escolha é lógica, eu creio que tenha a ver com o fato de que as redes sociais naquele tempo já eram um veículo muito abrasivo e, eliminando-as, a gente teria um filme mais cozy, essa coisa agradável, acolhedora, né? Sem tanta abrasividade, sem um cenário tão corrosivo que as redes sociais promovem.

Tem algo também que me incomoda muito nesse filme, que explica o seu sucesso entre os homens, é que da personagem protagonista, um homem sensível, feminino, não se têm suas fragilidades mostradas no filme; a gente não entende porque é tão rejeitado, como é que ele tem tanta dificuldade com a sua relação com as mulheres.

Um dos perigos que “Her” mostra certamente. Primeiro, que as empresas de tecnologia poderiam lucrar com a nossa solidão e com a nossa carência. Isso é indiscutível. Mas também relembra a importância de que, apesar da inteligência artificial, a gente mantenha a tecnologia em sua função de ferramenta, e não de brinquedo ou de meio de entretenimento. Afinal de contas, tudo no filme começa a desandar quando Theodore passa a se distrair com a “humanidade” sintética de “Samantha”, como é chamado o computador.

Acho que é importante também lembrar que Sam Altman designou uma IA sua, a partir do conceito de “Her”. Isso faz pensar sobre como a gente tem que cuidar com a própria gramática visual dos nossos filmes criticando da tecnologia.

Também percebo como algumas discussões são azeitadas no filme como, por exemplo, a questão da criatividade, não é? Em dado momento, quando o protagonista está em um passeio com seu computador, este compõe uma peça musicial que “combina com a situação”. Por nenhum no momento Theodore pensa sobre como a arte produzida por Samantha é sintética, sob quais parâmetros ela é designada.

Então há uma certa aceitação sobre a criação por um inteligência artificial nesse cenário. Porque também ajuda a promover a IA com uma coisa positiva, cria toda essa gramática visual de “tecnopositividade” e seduz as pessoas, inclusive, né? Azeita a crítica a respeito da tecnologia.

Eu gosto desse filme também por conta da relação agradável e azeitada com a tecnologia, mas também como ele promove a concepção de uma slow web, de uma slow tech, também por conta do e-meio ser o veículo principal de comunicação. Há sempre um momento para se receber notícias, e a IA percebe isso muito bem. Ela sabe o momento de dar certas notícias durante a interação, e isso também é positivo.

#tecnologia #cultura #notas


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Texto alternativo: um homem de roupa da moda dos anos 1960 manuseando sentado no chão um computador de mesa assentado em um cenário rural

Imagem: Jeff Ball (via are.na). Este sou eu escrevendo esta ideia de Chirico.

Aquela publicação que lanço quando quero escrever sobre o que tenho lido, discutido e pensado sem precisar de algum fio condutor. Provavelmente a última do ano. Até o próximo, estarei pensando em

Um vindouro manifesto

Isso porque penso seriamente em abrir um novo blogue chamado Offpunk, onde eu manteria um diário de bordo mostrando formas de resistir à digitalização, de viver sem a alta tecnologia e abrir caminhos para uma vida desconectada, independente das Big Tech; ou, como nas palavras de Eduardo Fernandes da newsletter Texto sobre Tela (veja a ponte no na seção Linkroll), buscando “a obsolescência como uma estratégia de liberdade”.

Tomo esse nome de empréstimo de um navegador feito para, acima de tudo, funcionar offline, que foi desenhado pelo escritor e desenvolvedor belga @ploum@mamot.fr.

• Offpunk, an offline-first command-line browser.

Mas penso em antes desenvolver um postura e uma estética em cima desse conceito. Penso em organizar referências culturais, apontar exemplos e caminhos nessa direção. O que nele se diferenciaria do “minimalismo digital” é que estaria relacionado a coisas como: voltar-se ao “low tech”, ao comunitário, ao analógico, ao não elétrico, à permacomputação; manter um estilo de vida de anticonsumo; e utilizar a internet de forma mais intencional, seguindo o ritmo da Slow Web. Para tanto, acho que vale pensar também em dispositivos configurados para esse propósito. Nesse sentido um texto do Ploum que traduzi chamado “Um computador feito para durar 50 anos” vai nessa direção.

• “O computador feito para durar 50 anos”, de Ploum (Ideias de Chirico).

Os argumentos são os de sempre: ter uma vida mais balanceada, mais presente, menos vigiada e com os dados menos explorados, sem se abster totalmente, no entanto, dos serviços digitais. Porém, ao contrário da postura neoliberal e individualista de buscar um “detox digital” em prol da produtividade, gostaria de dar um teor político a essa postura, defendendo o acesso à cidadania e ao lazer sem o intermédio do digital, e o direito à privacidade, a uma infância e uma velhice desdigitalizadas e a uma vida lenta.

Estou retirando muitas ideias dos textos que leio do Ploum, do Low-Tech Magazine (também de origem belga inclusive), bem como de um livro chamado “Digital Detox: a política da desconexão” (da escritora norueguesa Trine Syvertsen) ― que, se não me engano, ainda não foi traduzido para português (leio-o em inglês).

Acho que no começo do ano que vem faço ao menos um pequeno ”manifesto offpunk”, que pretendo traduzir em inglês e em francês. Escrevo isso mentalmente até lá. Aliás, o Ploum mesmo já se propôs a me ajudar na escrita.

Ainda sobre tecnopunkicidades...

Incrível como o simples fato de eu não acessar o Instagram faz algumas pessoas pensarem que sou um eremita, que vivo nas cavernas.

O produtor gráfico do meu livro falou mais cedo:

Não se você sabe, já que não usa mais o Instagram, mas aqueles casos de feminicídio estão sendo bastante discutidos...

(Eu li e ouvi sobre os casos pelo rádio, pela televisão e por podcasts ― com algum atraso talvez, mas soube no meu tempo).

Espera só para ouvir o que vão falar quando eu apagar meu perfil da plataforma... O que está me segurando lá é o que me faz refletir.

Ouvindo sobre o Pessoa

Não tenho falado muito de literatura neste blogue, mas me peguei muito preso neste episódio do podcast 451 FM, da revista 451:

451 MHz: # 174 Fernando Pessoa: todos os sonhos do mundo — 90 anos da morte do poeta.

Não sou muito de Fernando Pessoa, curto mais o que ele influenciou. Posso não gostar de Pessoa, mas gosto de quem gosta de Pessoa. Então por tabela gosto de Pessoa.

Mas o que se diz a respeito do autor nesse episódio fez-me ficar ainda mais interessado pela sua única obra que me interessa, “Livro do Desassossego”.

O livro são várias anotações do diário de Bernardo Soares, um pseudônimo pessoano, um “simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa”. Trata-se de uma “narrativa sem narração” ― alguns diriam uma prosa poética, outros um romance moderno. Na primeira vez em que o folheei (há dez anos), me agradou o caráter fragmentário e imagético do livro. Nas aulas de literatura portuguesa do curso de Letras, nosso professor sugeriu que lêssemos não linearmente, pulando à página do nosso gosto.

Mas voltando ao episódio da 451 em si, recomendo a escuta mesmo àqueles que já conhecem o autor português. Acho que há uma infinidade de coisas sobre as quais não sabemos tão facilmente e que o áudio-programa destrincha bem. Infelizmente, até por conta da ocasião do aniversário de morte do poeta, não tocaram no seu discurso racista.

Fast web

Estou prestes a enviar um meme por e-meio. Este é o atual estado digital.

Já disseram que parei no tempo. Só estou cansado de fast web.

Desejos para 2026

  1. usar mais dinheiro vivo, pois detesto depender de eletricidade e de internet para pagar minhas coisas em balcões;

  2. arrumar um “trabalho de verdade” (com alguma formalidade e constância);

  3. estar cronicamente offline;

  4. encerrar a imersão no francês (ano que vem completará dois anos que estou nesse idioma);

  5. e começar a estudar alemão.

(“Desejos”, porque quem tem meta é empresa).

O desconhecido na língua estrangeira

Por que é menos desesperador ver uma palavra desconhecida na língua materna do que ver uma palavra desconhecida em língua estrangeira?

Estava aqui dando uma lida no meu agregador de RSS e fui clicando nas notícias. Aquelas em inglês eu batia o olho e na primeira palavra estranha eu desistia e ia para a próxima notícia. Aquelas em português, mesmo que eu não soubesse o que significava o termo, seguia na leitura.

Já tenho uma boa jornada com inglês, e sei que com paciência eu saco o significado das palavras na hora. Um dicionário médio também serve. Ainda assim, tenho muita resistência a ler nessa língua. Não sou capaz de dizer agora se o mesmo acontece em outras línguas que aprendi.

Será que isso acontece só comigo? Duvido.

Questão de didática (sobre outros punks)

Pergunto-me por que os punks dos anos 2000 não chamavam o “sistema” simplesmente de “capitalismo”. Isso seria bem mais didático.

Linkroll

Seção em que faço uma curadoria de pontes que encontro pela internet.

Ouvi falar que o Pinterest tem enchido a si mesmo de lixo de IA. Tenho-lhe um substituto: are.na.

A plataforma é autodescrita como um lugar de “playlists, só que de ideias” ou “um palácio de memórias da internet”. Em poucas palavras, é um recanto de curadoria, seja de música, de sítios web, de imagens ou de vídeos ― algumas listas têm tudo isso junto e misturado.

Outra vantagem do Are.na é o seu repositório. Algumas listas datam de 2014. Ah, e não precisa de conta para navegar e nem tem loginwall como o Pinterest.

Esqueci de publicar essa ponte no último linkroll: um sítio lindíssimo mostrando com o efeito granulado (dithering) funciona. O efeito granulado, para quem não conhece, é uma forma de tornar uma imagem mais leve, pixelizando-a totalmente no degradê entre duas cores (em geral, preto e branco).

Dithering, part 1 (Visualrambling).

Tornei-me um fã desse efeito desde que comecei a acompanhar as publicações do Low-Tech Magazine, citado lá em cima, ilustradas com imagens em dithering. Cheguei a tentar publicar somente fotos com essa estética aqui nas Ideias, mas dá um baita trabalho editá-las e deixá-las em um servidor estável.

A sedutora, esquisita e colossal beleza da indústria: desde fábricas de bonecas sexuais nos EUA, centros de pesquisa nuclear, fazendas de maconha na Dinamarca e fábricas de sapatos na Indonésia.

The Unintended Beauty of Big Industry in the 21st Century – in Photographs (Flashbak).

Um sítio que divulga notebooks costumizados com adesivos e os organiza por temas:

Stickertop.

Essas artes são bem antigas (de meados da década de 2010), mas acho que ainda vale a divulgação: pôsteres imaginando propagandas de plataformas de entretenimento e redes sociais como se fossem tecnologias dos anos 1950. Gosto desse estilo retrofuturista e de como plataformas como Youtube e Facebook ainda eram vistas com uma certa simpatia...

Vintage social media ads as retro campaign (Brand Constructors).

Crescer entediado com os celulares está matando o poder transformador do tédio (ihu.unisinos.br).

Texto de newsletter pensando sobre resistência digital a partir da sutil guerra entre tecnologias no filme “Uma batalha atrás da outra” (2025), no qual “aparelhos analógicos aparecem como uma estratégia pra fugir da vigilância digital”.

Geriatria da tecnologia (Texto sobre tela ― Substack).

Considero “Uma batalha atrás da outra”, aliás, como um filme exemplar do que chamo de #offpunk.

Vídeo: “Sesame Street – Computer E/e”.

Citações

O smartphone é hoje um lugar de trabalho digital e um confessionário digital. Todo dispositivo, toda técnica de dominação gera artigos cultuados que são utilizados à subjugação. É assim que a dominação se consolida. O smartphone é o artigo de culto da dominação digital. Como aparelho de subjugação age como um rosário e suas contas; é assim que mantemos o celular constantemente nas mãos. O like é o amém digital. Continuamos nos confessando. Por decisão própria, nos desnudamos. Mas não pedimos perdão, e sim que prestem atenção em nós.

― Byung-Chul Han, filósofo teuto-coreano.

Não há condições de ensinar para uma mosca que mel é melhor do que bosta”

― meu psicoterapeuta.

Se uma árvore cai em um bosque e não há ninguém para a ouvir, ela faz ruído?

― Koan, um exercício mental budista.

Pedidos

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#notas


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Imagem ao fim do dia de vários edifícios europeus de estilo moderno com suas luzes amareladas acesas. Ao horizonte, no céu, vemos vermelhos e azuis

Imagem do centro comercial de Utrecht. Fotografia de @jeroenheijmans@mastodon.social

Publicações avulsas de outros lugares, pontes (“links”) e algumas citações que coletei nos últimos dias. A partir de agora, preferirei o termo “lampejo” em lugar de “insight”.

O analógico enquanto vanguarda

Engraçado que instrumentos mecânicos como máquina de escrever e bicicleta eram tidos como meios de atraso ou indícios de pobreza. Agora que se vê os males do carro e da digitalização compulsória da vida, aqueles mesmos instrumentos são vistos como emancipatórios e até revolucionários.

Uma noite no centro de Nova York

Meu pesadelo é eu protagonizar um remake não oficial de “After Hours” (1985), ou seja, entrar em uma espiral secular de azar e más decisões madrugada adentro no centro da cidade em uma quarta-feira qualquer.

No filme de Scorsese, acompanhamos a jornada de desconstrução de Paul Hackett, um “iupe” clássico do natimorto sonho americano, com sua vidinha de profissional liberal solteiro com T.T.T. (teto-televisão-travesseiro).

Sua viagem inicia quando, ansioso por ter uma aventurinha, aceita ir ao centro de Nova York por convite de uma desconhecida que conheceu em um café na mesma noite e que lhe fornecera pesos de papel, feitos por sua rumeite artista. Eram 23h quando Paul tomava o táxi para o “loft” da dita-cuja.

Essa semana lhe assisti pela terceira ou quarta vez, a primeira quando ainda era ~bebê, em uma sessão pós-noturna dessas do Corujão da Globo, logo após ter acordado na cama dos meus pais. Sempre que assisto ao “Após Horas” gargalho aprendendo a rir com o azar e a ver uma certa graça nas coincidências.

O personagem principal de 'Onde está Wally' utilizando um smartphone, cuja tela afirma que 'O Google gostaria de permissão para usar sua localização'

Cartum de McPherson.

A casa como espaço do antidigital

Li uma matéria sobre as preferências de compradores por “casas burras”, onde haja espaços desconectados. Um cantinho da leitura, uma varanda de detox digital, espaço de meditação etc.

Bateu-me aqui um lampejo e eu queria mesmo era uma casa 100% analógica, onde o digital de fato não entrasse. Não sei como faria isso, mas é um exercício a se fazer. Só posso associar o digital ao trabalho. E a casa para mim não deveria ser associada a outro trabalho que não fosse o doméstico... De certa forma, estar em linha dentro de casa é cultivar uma jornada, não só dupla, mas síncrona.

Sobre Lô

Na última segunda-feira, voltando do trabalho ao fim do dia, eu ia pôr música para tocar nos fones. Mas, como não estava moodado, acabei decidindo ouvir rádio.

Na rádio Band comentaram por cima que o Lô Borges, do Clube da Esquina, morrera mais cedo. Sempre carrego o seu “álbum do tênis” no telefone, para ouvir quando tenho um tempo livre.

Muito doido que logo o Lô Borges, que tinha um aspecto mais jovem, foi o primeiro do Clube da Esquina a falecer... É cada vez mais triste ver essa gente grande morrer aos poucos e não ter quem ficar no lugar.

Passamos por um estado insolúvel daquilo que o @mathek@tilde.zone chama de “orfandade cultural”.

Aportuguesamento

No meu íntimo chamo Air Frier de “frita-a-ar”.

O tuíte do perfil @CSMFHT que diz: 'Um novo navio de Teseu acabou de chegar, mas agora ele tem pensamento consciente'. 'Thomas não gostou do seu tempo na Oficina. 'É bom sentir-se consertado novamente,' disse ele depois, 'mas eles tiraram tantas das minhas peças velhas e colocaram peças novas, que eu não tenho certeza se sou realmente eu ou outro motor.'' O 'navio de Teseu' é uma referência ao paradoxo filosófico que questiona a identidade de um objeto quando todas as suas partes são substituídas. Nesse caso, o meme usa Thomas, o Trem, para ilustrar esse conceito.

Tuíte do @CSMFHT. “Um novo navio de Teseu acabou de chegar, mas agora ele tem pensamento consciente”. Na imagem: “Thomas não gostou do seu tempo na Oficina. 'É bom sentir-se consertado novamente,' disse ele depois, 'mas eles tiraram tantas das minhas peças velhas e colocaram peças novas, que eu não tenho certeza se sou realmente eu ou outro motor.”

De volta ao Mastodon

Por motivos de instabilidade nos servidores, no fim do mês passado migrei da minha antiga comunidade fediversal, harpia.red, para a mastodon.social.

O desenvolvimento do Mastodon tem que urgentemente colocar respostas em contexto, como era habitual no antigo Twitter (não sei como está hoje), onde, se se via um tuíte-resposta, acima vinha o tuíte respondido.

Isso não acontece no Masto. É tudo ocultado. Certa vez respondi a um tute que parecia responder a uma publi minha de um assunto X. Escrevi 500 caracteres bem opinioso sobre assunto X. Quando publico, vejo na verdade que a publi falava de assunto B. Por quê? Porque eu não tinha visto o tute respondido.

Não é falta de atenção, caro leitor. Quer dizer, também. Mas é sobretudo falta de um bom desenho de interface. Esse é o maior motivo pelo qual gente como eu não dura muito tempo nessa plataforma. Além de confusa, a interface não fornece mais de uma experiência que não a linear, de fluxo contínuo “timeline”. Os desenvolvedores do Mastodon têm a faca e o queijo na mão para se tornarem a plataforma mais respeitada do Fediverso.

Cadê os lunáticos quando a gente precisa deles?

Bem que um panicozinho moral em torno da “inteligência artificial” cairia bem agora, hein?

Linkroll

A Wall Street Journal fez um vídeo explicativo sobre como os fones com cancelamento de ruído funcionam. Dada a complexidade do processo, imagino o quanto isso gaste a bateria do equipamento...

How Noise-Canceling Headphones Create Silence in Microseconds (The Wall Street Journal ― Youtube) [EN].

O IBGE fez um sítio web bem legal para divulgar os resultados do Censo de 2022 sobre os nomes utilizados no Brasil. É possível pesquisar por nomes e sobrenomes. A partir de busca por palavras, aparecem resultados como número de pessoas com o nome, idade média de pessoas que têm esse registro, gráfico longitudinal de adoção do nome e signo do horóscopo (?) e o signo chinês (?) mais comuns de pessoas que possuem o nome buscado. Raros são esses sítios que o governo faz que são divertidos ao mesmo tempo que fazem um bom serviço público...

Nomes do Brasil (Censo 2022, IBGE) [PTBR].

A revista Nature perguntou a pesquisadores que usam inteligência artificial sobre como a propensão da ferramenta a agradar as pessoas afeta o seu trabalho ― e o que eles estão fazendo para mitigá-la.

AI chatbots are sycophants — researchers say it’s harming science (Nature) [EN]

Árvores refletidas em uma poça d'água

Fotografia de @sarablap@neopaquita.es

Citações

E tem coisa mais low profile que só ter conta no fediverso? É mais low profile que não ter rede social nenhuma

@hugu@masto.donte.com.br

Não usem drogas. Já repararam que todo o ex-usuário de drogas se converte em um crente? É isso que vocês querem para a vida de vocês? Serem crentes!? As drogas são a porta de entrada para a Igreja Universal do Reino de Deus

@noahloren@kooapp.org

A amizade é o sal da vida.

― Jorge Amado.

Batendo duas mãos uma na outra temos um som. Qual é o som de uma única mão?

― Koan, um exercício mental budista.

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