“O culto ao upgrade: looksmaxxing, sabedoria e humanidade obsoleta”, de Rick DuFer
from Ideias de Chirico
Ressalva: cada língua nova que se aprende é um amigo novo que se faz. Cada uma das quatro línguas que aprendi me trouxe algo que eu não poderia adquirir sendo monolíngue, alguma informação importante de outra parte do mundo, alguma forma de pensar ou de organizar o pensamento, ou mesmo uma forma diferente de experienciar a vida.
Lógico ainda dizer que este “amigo novo” traz outros amigos na vida real. Minha vida social aqueceu-se bastante graças aos estudos de línguas estrangeiras, sobretudo por conta dos encontros do Clube Poliglota.
Um desses meus “amigos” distantes, com o qual se tem um encontro uma vez na vida, é a língua italiana. Li muito pouco nesta língua (Um livrinho do Italo Calvino, quadrinhos do Corto Maltese e Dylan Dog, e outros artigos soltos por aí), assisti ainda menos com ela (acho que não sou inteligente o suficiente para o cinema italiano!), e ouvi pouco também. Música, digo. Porque há muitos anos tenho ouvido bastante um desses comunicadores incríveis que sabem utilizar o meio digital de forma interessante. Seu nome é Rick DuFer, mantenedor do canal Daily Cogito, onde publica ensaios sobre cultura, filosofia, e, não raro, tecnologia.
Apesar de pouco frequentada, o italiano ainda me traz algumas pérolas. Uma delas é o recente episódio de Daily Cogito chamado “Il CULTO dell'Upgrade: LooksMaxxing, Saggezza e l'Umannità Obsoleta”, em que Rick fala sobre como a ambientação de diversas “extensões” do corpo humano (i. e., tecnologias) em nosso cotidiano impeliu-nos a tecnificar nosso próprio corpo e nossa mente, tornando-os “atualizáveis”. Rick DuFer, no entanto, faz um elogio ao velho e ao duradouro, sem os quais não existem a sabedoria e a humanidade.
Decidi traduzir a transcrição do vídeo também para refletir melhor sobre este belo vídeo-ensaio de Rick DuFer e, é claro, aprender um pouco mais da língua italiana. Como na fala de Rick há ênfases com a voz ou com o corpo, tentei anunciá-las com marcações em itálico, negrito ou pontuações.
Boa leitura!
O culto ao upgrade: looksmaxxing, sabedoria e humanidade obsoleta
Mas... você se lembrou de atualizar? “Mas como assim?” O seu celular, as suas opiniões sobre geopolítica, as maçãs do seu rosto, o seu maxilar, o seu modo de falar, enfim, você mesmo! Certo, em que versão está agora? 17? 18? 18 Pro Max? Diga, de outra forma você não tem nenhum valor.
[...]
Na Califórnia, em Livermore, há um quartel de bombeiros. Pendurado no sótão, há uma lâmpada que está acesa desde 1901. Sim, você entendeu bem, desde 1901. Ela passou por duas guerras mundiais, a viagem à lua, o nascimento da internet e ela está ainda ali, acesa. Tem até uma webcam exclusiva, e todo dia alguém de alguma parte do mundo se conecta para vê-la. Uma lâmpada que não faz nada de extraordinário, simplesmente dura e continua a funcionar.
Agora saltemos para Genebra, em dezembro de 1924. Em torno de uma mesa, sentam-se os representantes dos maiores produtores de lâmpadas do mundo: Osram, Philips e os colossos americanos, britânicos e japoneses. Nasce um acordo que passará à história como o “Cartel Phoebus”, e estabelecem uma coisa muito simples, mas enorme: as lâmpadas não devem durar mais do que mil horas. Quem as produzir mais duradouras, paga uma multa.
Em um certo ponto da história, alguém decidiu em acordo prévio que um objeto deveria morrer antes do tempo. Isso se chama “obsolescência programada”, e aquela morte programada era um ótimo negócio.
Duas lâmpadas, dois mundos. De um lado, a lâmpada que dura e que por isso mesmo torna-se uma atração, uma curiosidade a ser assistida online como se assiste a um animal raro; do outro, uma lâmpada projetada para... acabar!
E há uma pergunta que zumbe na minha cabeça há um tempo: como chegamos a um ponto no qual uma coisa que simplesmente dura parece exótica, curiosa e rara? Quando é que a durabilidade, que por milênios foi sinal de valor das coisas, tornou-se uma estranheza, quase um defeito? Afinal, hoje vivemos em uma obsessão muito particular. Não é só a obsessão pelo novo, o amor pela inovação, é algo mais traiçoeiro e, ao meu ver, inquietante: é a obsessão pelo upgrade, pela atualização, e é disso que vamos falar a partir de agora.
[...]
Partamos da palavra, que é já todo um programa: atualização [aggiornamento]. Confesso que é uma palavra que não suporto, e creio também que entendi o porquê. Em italiano, “aggiornamento” tem dois significados.
O primeiro usamos continuamente: trazer algo ao momento presente, torná-lo atual, alinhá-lo ao hoje (“devo me atualizar sobre algo”).
Mas há um segundo, mais antigo, que sobrevive na linguagem burocrática: “adiar uma sessão” [aggiornare una seduta] quer dizer postergá-la, movê-la a um outro dia ― “a reunião foi adiada para terça-feira” [“la riunione è aggiornata a martedì”].
E vejam que maravilha involuntária: a atualização tecnológica faz exatamente essas duas coisas: traz você ao hoje, e, simultaneamente, deixa a conclusão para amanhã. Toda vez que você atualiza o telefone, o computador, o app, recebe uma mensagem implícita: “Esta versão está boa hoje, agora, mas a adequada, a de fato concluída, é a próxima”. A plenitude é sempre adiada [aggiornata] a outro dia, é uma reunião que nunca chega de fato.
Depois há a palavra inglesa upgrade. Dentro há grade, que vem do latim gradus, o “degrau”. E um degrau é uma coisa estranha: não foi feito para se estar acima, foi feito para ser superado ― ninguém vive em um degrau. Veja só, os objetos que compramos hoje são degraus, e, como veremos, não só os objetos.
Não existe mais “o telefone”, existe o telefone 17, o 17 Pro, o 17 Pro Max. Esse número é uma data de vencimento declarada. Quando compra o 17, sabe já que existirá um 18, e se tem o 18, há o 18 Pro, e ainda o Pro Max, e depois a atualização do Pro Max e assim sucessivamente. O objeto guarda a própria obsolescência escrita em si como uma etiqueta. Não nasce como uma coisa, nasce como uma versão.
Para entender o quanto é estranho esta situação, que tomamos por garantida, demos um passo para trás. Em grande parte da história humana, e em muitíssimas culturas ainda hoje, o valor tinha a ver sempre com o tempo.
O vinho bom é o envelhecido; a madeira valorizada é a do carvalho que levou um século para crescer; o móvel de valor é aquele com pátina, passado de mão em mão; as catedrais eram construídas por gerações que sabiam muito bem que nem sequer as veriam concluídas; as relações tomadas de exemplo eram aquelas longevas, que restavam às intempéries e aos imprevistos; e o ancião na vila, na família, era a pessoa a quem se escutava.
Por quê? Não por sentimentalismo, mas por uma razão muito precisa: a duração era uma prova. Se uma coisa resistiu cem anos, superou um exame que nenhuma publicidade poderá substituir. O tempo era o juíz mais severo que tínhamos e o que durava mostrava valor.
Hannah Arendt em “Vida ativa” distingue dois modos com os quais nos relacionamos com as coisas: há o consumo que devora o que produz (come-se o pão, desaparece e amanhã é necessário fazer outro) e há o fabricar objetos feitos para durar (uma mesa, uma casa, um livro). “Estas coisas”, diz Arendt, “formam um mundo, um mundo que precede e sobrevive”.
E tem uma observação belíssima em Arendt: a estabilidade das coisas nos servem. Nós, seres humanos, mudamos continuamente, somos instáveis, mas encontramos a nossa identidade é nos voltando às mesmas coisas: a mesma cadeira, a mesma mesa, a mesma casa, talvez velha. Em suma, as coisas que duram restituem a nós mesmos. O seu diagnóstico da sociedade dos consumos é que estamos tratando os objetos de uso como se fossem pão, coisas a serem consumidas e substituídas. E se as coisas não duram mais, o risco é que não tenhamos mais um mundo estável no qual nos reconhecermos.
Aqui precisa se conter, hein?, nem pensar, porque seria muito fácil dizer “Antes se amava o que dura, hoje se ama o novo, que tragédia”. Não é verdade ― ou ao menos, não é verdade nesse sentido. A modernidade ama o novo há séculos, não fomos nem mesmo nós que a inventamos.
Em 1909 Filippo Tommaso Marinetti publica o “Manifesto do Futurismo” e escreve que “Um carro de corrida é mais belo do que a 'Vitória de Samotracia'”. Era necessário destruir os museus, as bibliotecas, as universidades. Nada de upgrade! O futurismo queria botar fogo no passado ― gente bem... moderada.
E, para ser honesto, é preciso considerar uma outra coisa. O culto ao antigo nem sempre foi inocente. “Sempre se fez assim” foi por séculos uma fórmula de poder. A tradição serviu também para calar, para excluir, a manter paradas as coisas quando deviam se mover. Então não, não estou fazendo elogio aos “bons e velhos tempos”.
Mas exatamente o confronto de Marinetti faz ver o que há de fato de novo hoje. Vejam, o futurista odiava o passado, odiava, então o via, queria uma ruptura, um salto, e reconhecia nisso o peso insustentável. O passado, o homem do upgrade nem sequer odeia, simplesmente não o vê, não percebe, não liga.
Para ele, o passado não é um “inimigo a ser combatido”, é uma “versão precedente”, uma coisa não mais compatível, “obsoleta”, como se diz na informática. E sobretudo o upgrade não requer nenhuma ruptura, requer o mesmo objeto, mas um pouco mais: um pouco mais veloz, um pouco mais sofisticado, um pouco mais potente. O novo, mas sem a novidade.
Talvez então o motor mudou. O futurismo era movido pelo desejo pelo novo, pelo verdadeiramente novo. Nós somos movidos pelo medo de ficar para trás. Não corremos em direção ao futuro, escapamos da obsolescência, sabendo que os primeiros obsolescidos seremos... nós.
E tem um filósofo que viu tudo isso com uma antecedência impressionante, aliás o primeiro de fato noivo e marido de Hannah Arendt: chamava-se Günther Anders. E em 1956 publica um livro que é já uma sentença: “O homem é antiquado”.
Anders conta que observou um amigo em visita a uma exposição técnica: diante das máquinas, o amigo parecia sentir embaraço, quase vergonha. E Anders dá um nome a esse sentimento: “vergonha prometeica”.
Que é isso? É a vergonha que o ser humano sente diante dos produtos que ele mesmo construiu. As máquinas são precisas, fiáveis, replicáveis, podem ser corrigidas, melhoradas, substituídas peça por peça. E nós? Nós somos imprecisos, nos fascinamos, nos cansamos, envelhecemos, sobretudo não podemos ser atualizados. Envergonhamo-nos, diz Anders, de termos nascido em lugar de sermos fabricados.
Pensem em quanto tudo isso soa atual. Anders escrevia quando os computadores ocupavam cômodos inteiros, hoje vivemos rodeados de inteligências artificiais que estão em um microchip, que saem em uma versão nova a cada poucos meses, a cada vez um pouco melhores escrevendo, raciocinando, programando.
E a pergunta que ouço repetidamente em todo lugar é: “Quais trabalhos se tornarão obsoletos? quais competências humanas não servirão mais?”
Notem a bola de neve: partimos das coisas obsoletas e chegamos às pessoas obsoletas, ou seja, o homem antiquado. A lógica da atualização [aggiornamento] nasce para julgar os objetos e acaba por julgar quem as utiliza.
Em um cômodo cheio de dispositivos que se atualizam sozinhos, o objeto mais lento a se atualizar... é você! E é aqui que a vergonha prometeica deixa de ser uma teoria e torna-se um sentimento cotidiano: a sensação de não ser veloz o suficiente, atualizado o suficiente, em dia o suficiente. Lido hoje, o título de Anders não soa mais como uma provocação, soa como uma constatação.
E assim o upgrade faz o passo sucessivo: entra dentro de nós. De fato, se pensar bem nisso, falamos de nós mesmos com a mesma linguagem do software: “Torne-se a melhor versão de si mesmo”, “Preciso me resetar”. A biografia se torna um registro das alterações: “Versão 2.0” depois do divórcio, “Versão 3.0” depois da troca de emprego...
Parecem modos de dizer, mas escondem uma mudança profunda psicologicamente falando. Há uma diferença enorme entre amadurecer e se atualizar. O amadurecimento conserva: o menino que você foi ainda está dentro do adulto que é ― transformado mas presente. Atualização, ao contrário, sobrescreve: a versão nova acaba com a precedente. Não há sedimento, há substituição; não é mais uma geologia, é só superfície. Não há continuidade nem duração, há só substituição de um presente contínuo que, porém, encontrará seu sentido amanhã.
E vejam o que sucede a uma figura que por milênios foi central: o ancião. Por quase toda a história humana, o saber escorria do velho ao jovem: era o velho que sabia quando plantar, como curar uma febre, como comportar-se em uma crise. Hoje, pela primeira vez, o fluxo inverteu-se: o avô não é mais o sábio, é o desatualizado, o boomer, aquele que pergunta ao neto como se manda um áudio.
Obviamente não estou dizendo que o avô não deva aprender a usar o telefone, nem pensar; estou dizendo que deixamos de reconhecer o tipo de saber que não se atualiza, aquele que vem do vivido. A sabedoria necessita de tempo sedimentado, de geologia. O upgrade necessita de tempo apagado. As duas coisas não podem estar juntas.
E quando o upgrade entra na identidade, é inevitável que chegue também ao corpo. De fato, o corpo é talvez o terreno onde se vê essa lógica de modo mais cru. Já ouviram falar de looksmaxxing? É uma subcultura nascida online, divulgada sobretudo entre rapazes bem jovens, que busca maximizar o próprio aspecto. Começa-se com práticas em aparência inócuas como o mewing, uma postura da língua que poderia redesenhar o maxilar [...].
E chega-se à cirurgia ou às práticas abertamente autolesivas. Mas a coisa que mais me pega é linguagem, a de um jogo: se faz maxxing, melhoram as próprias estatísticas, o rosto recebe uma pontuação em uma escala numérica. O corpo não é mais algo que você é, é uma configuração a melhorar, uma carcaça a atualizar, um hardware.
E não se trata só de um ou outro rapaz num fórum: existe uma versão adulta e perfeitamente aceita ― o retoque preventivo, o preenchedor aos 25 anos para impedir uma ruga que ainda não apareceu, os peptídeos usados como bombonzinhos no asilo.
Notem: não se repara um dano, se antecipa a obsolescência. É a lógica do upgrade, tal qual, hein! Quero deixar claro: não estou julgando quem escolhe intervir no próprio corpo, cada qual faz aquilo que quer com o próprio corpo. O problema não é o gesto sozinho, é a lógica que deixa o corpo perpetuamente incompleto, sempre à espera da próxima versão, da constante atualização que na realidade esconde uma insatisfação eterna.
O rosto, porém, quero fazer-lhes notar, é o lugar em que o tempo escreve: uma ruga é uma biografia, é a marca de todas as vezes que você riu, que se preocupou, que apertou os olhos diante do sol. É a duração ― da qual falava Hannah Arendt ― escrita na pele. O upgrade do rosto é a tentativa de se ter uma face sem versão precedente, uma face cuja história foi apagada.
E aqui retorna Anders: muitos cirurgiões contam sobre pacientes que se apresentam com uma referência precisa, não a foto de um ator, mas o próprio rosto processado por um filtro. A vergonha prometeica torna-se literal: nos envergonhamos de não nos assemelharmos com a nossa imagem reelaborada por uma máquina! Incrível...
Uma última observação: já repararam que os smartphones, com tantas atualizações, acabam por se assemelharem todos? Retângulos pretos, brancos, cinzas, azuis ― idênticos. Veja só, acontece o mesmo com os rostos otimizados: convergem para um único modelo. Quem persegue a versão melhor de si frequentemente chega à mesma versão de todos os demais.
Existe uma alternativa? Não quero encerrar com nostalgia, que seria só outra forma de não pensar, quero encerrar com uma imagem.
No Japão existe uma prática que se chama kintsugi [“emenda de ouro”]: quando um vaso de cerâmica se quebra, não é jogado fora, conserta-se juntando os fragmentos com uma laca mesclada com pó de ouro. O resultado é um vaso atravessado de frestas douradas, e esse vaso, depois da ruptura, vale mais. A fenda não fica escondida, vem em destaque, valorizada; torna-se a parte mais preciosa do objeto, mas não pelo ouro, né? Mas pela marca da sua história.
Se pensarem nisso, é o exato oposto do upgrade: o upgrade substitui o objeto para apagar seu defeito e assim apagar também sua história. O kintsugi conserva o objeto mesmo graças à história do seu defeito, do evento que o rompeu. E pense no rosto do qual falávamos antes: as rugas são as veias de ouro de uma face, podem agradar ou não agradar, seguramente nos lembram que a um certo ponto morreremos, mas são fundamentais para a nossa identidade.
Consertar, no fundo, é um gesto filosófico: significa escolher permanecer se relacionando com uma coisa em vez de substituí-la. Significa dizer: “Esta coisa tem uma história, e a sua história é também a minha, e eu também tenho uma história, e respeito essa história mesmo quando me marca”. Não é por acaso que também movimentos no plano político: a União Europeia começou a reconhecer por lei o direito ao conserto. Veja só, talvez não estejamos condenados a descartar tudo.
Deixo-lhes então uma pergunta para levar consigo hoje: há algo na sua vida ― um objeto, um hábito, uma relação ― que você manteve tempo suficiente para torná-lo realmente seu? E se não tem, que coisa lhe impediu de o ter?
Para terminar, retornemos à lâmpada de Livermore. Há um detalhe que eu não lhes disse: essa lâmpada hoje dá pouquíssima luz; fraca, brilha por cerca de quatro Watt, uma luz baça, quase uma vela. Como lâmpada, digamos, é péssima, ninguém a compraria para iluminar a sala de estar, não o conseguiria. No entanto, as pessoas se juntam para observá-la, não pelo seu serviço, mas porque permaneceu.
Talvez o valor que tenhamos esquecido seja justamente este: não a performance, mas a fidelidade; não ser sempre a melhor versão, mas continuar ali, continuar presente. Em um mundo que nos exige que nos atualizemos constantemente, como se fosse uma fuga para frente, permanecer pode se tornar um pequeno ato de resistência, quase revolucionário. Nem tudo que dura é precioso, mas nada torna-se precioso sem durar: esta é a regra que gostaria de tirar deste episódio.
[...]
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