Notas costuradas
from Ideias de Chirico
Nesta publicação, vou me limitar a indicar alguns links. Afora uma tradução de um vídeo-ensaio em italiano em andamento, não rabisquei nada demais entre um texto e outro. De qualquer forma, espero que gostem das minhas recomendações!
Tetris: ordenando o aleatório
Fissurei com o jogo soviético Tetris, projetado pelo engenheiro de software russo Alexey Pajitnov em 1985. Nos últimos dias fiquei buscando toda espécie de informação a respeito dele.
Tudo começou quando vi um vídeo do @nada.pratico@instagram.com recomendando o filme “Êxtase de Ordem: os mestres de Tetris” (2011) e comentando sobre os benefícios de “tetrisar”, que vão desde exercitar a capacidade de reconhecer padrões, passando por tratar episódios de estresse pós-traumático ou de vício em cigarro e álcool, até desenvolver o tamanho do córtex do lobo frontal esquerdo do cérebro, responsável por planejar e coordenar movimentos voluntários.
Buscando por outros materiais, comecei a ver um documentário da BBC mostrando como foram os trâmites para trazer o game para o mercado ocidental (depois de anos circunscrito no eixo soviético).
• Tetris: from Russia with love (Youtube ― The Video Game Reviewer Archive)
Mais recentemente li um artigo muito bom da mesma BBC falando sobre um feito de um adolescente no clássico Tetris da Nintendo: o de “zerar” o jogo ― algo que só a IA havia feito. O mesmo artigo reflete sobre o conceito de “evolução cultural”, a capacidade de seres sociais de adquirir e aprimorar habilidades através da “cópia” de um outro.
• Tetris: como adolescente conseguiu 'o impossível' no clássico dosgames (BBC Brasil)
Para quem é das computarias, recomendo o pacote vitetris, um Tetris desenvolvido para jogar no emulador de terminal. É o modelo de jogo com o qual tenho praticado. Fica aí a dica.
Post-scriptum: contatei @nada.pratico@instagram.com para saber onde assistir ao filme mencionado e recebi o seguinte link:
• Ecstasy of Order: The Tetris Masters (2011) (lookmovie2.to)
Brasil na alma de um violino

Enquanto escrevo estas linhas, escuto o disco “Caprichoso Brasil” lançado neste ano pela gaúcha Paloma Pitaya. Tive notícias dessa peça ouvindo a Rádio MEC, por onde a musicista dava uma entrevista.
• Violinista e compositora Paloma Pitaya lança “Caprichoso Brasil” (radionacional.ebc.com.br)
Pitaya é de formação clássica, mas por conta de seu projeto de pesquisa cobrindo os ritmos brasileiros, passou a compor peças da música popular brasileira e argentina para violino ― de frevo à baião, de samba à milonga.
Todas as canções são nomeadas como “Caprichos”, sendo tocadas em violino solo ou acompanhado de um outro instrumento ― em geral violão.
“Capricho”, vale dizer, é um gênero musical consagrado pelo violinista virtuoso Niccolò Paganini no qual se mostra uma habilidade extraordinária em um dado instrumento musical.
O disco completo está disponível no Spotify e na página oficial da artista no Youtube.
Do disco, indico a escuta de cara de “Capricho Frevo”, uma das primeiras faixas que ouvi do rádio.
• Capricho Frevo • Paloma Pitaya (Youtube ― Paloma Pitaya)
Blogroll
A banda cearense “Os Bardos”, inicialmente uma banda de rock progressivo e atualmente fazendo experimentos com música eletrônica, fez um site LINDO bem ao estilo neocities (roda sem Javascript, aliás). No botão “início” é possível encontrar um link para download dos dois álbuns lançados até o momento. Recomendo a visita e a escuta!
• nós – Os Bardos (osbardos.com)
Lista imensa feita na Wikipédia de músicos que se opuseram ao uso indevido de Trump de suas canções. Vai de A à Z. Literalmente.
• Musicians who oppose Donald Trump's use of their music (en.wikipedia.org)
O autoritarismo não precisa mais se apresentar com a estética do autoritarismo do século passado. Aliás, vem embalada no rótulo de uma grande empresa de tecnologia.
― Gastão Cassel em resenha sobre o filme “O Aniversário”
Depois de solicitar aos organizadores, a tradução do artigo “Como e porquê parei de comprar notebooks novos” do Low Tech Magazine que traduzi há alguns anos foi publicado no site original no último mês.
• Como e por que parei de comprar notebooks novos (Low←Tech Magazine)
Aproveitei a ocasião para ver outros artigos traduzidos para português e me deparei com esse falando sobre o processo de criarem um sítio web de baixo custo. Recomendo bastante para aqueles que são mantenedores de servidores e/ou tem simpatia pela causa ambiental.
• Como construir um site low-tech? (Low←Tech Magazine)
Citações
Podiam refazer aquele adesivo do “Sorria, você está sendo manipulado”, mas ao invés do símbolo da Globo coloca as logos do YouTube, Instagram, WhatsApp
Uma das melhores coisas sobre ser muito é o luxo de pensar pouco.
― Marshall McLuhan.
Morador de rua que não aceita pix vai morrer de fome.
― Anônimo.
Quando um homem quer detonar um tigre, chama isso de esporte; quando o tigre quer detonar o homem, chama isso de selvageria.
― Shaw, “Massime per rivoluzionari”
tava pensando agora que não se fala mais no 4chan e tava pensando que talvez não se fale mais porque o ecossistema digital mainstream inteiro virou um 4chan
― @mathek@tilde.zone em tute
Há três regras para escrever um romance. Infelizmente ninguém sabe quais são elas.
― Somerset Maugham.
(Outro dia fiquei fascinado pelo ditado “O peixe é o último a descobrir a água”, e, buscando sobre suas origens, desenterrei uma série de outras citações envolvendo os signos água e peixe, que estão a seguir).
O indivíduo costuma estar tão profundamente imerso em sua cultura que mal a vê como uma força modeladora em sua vida. Como alguém disse, “O peixe é o último a descobrir a água”. Pessoas que não conhecem outro padrão cultural que não o seu tendem a vê-lo como divino ou intrinsecamente certo.
― James C. Coleman.
O que faz um peixe saber sobre a água sob a qual nadou a vida inteira?
― Albert Einstein.
Era uma vez um peixe inventivo que descobriu a água.
― Roger Pocock.
(Re)leia outras ideias de Chirico
• A sedução pelas sombras (setembro de 2024)
Ensaio em que penso sobre como nossa cultura está organizada em torno da luz enquanto fenômeno e enquanto símbolo.
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Resenha do primeiro disco do baixista Alberto Continentino, que é basicamente cócegas no ouvido.
• Como tornar a tecnologia divertida de novo? (março de 2025)
Onde dou meu relato sobre como foi minha experiência com a informática e sobre como melhorar nossa relação com essas “extensões do corpo humano”.
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