Zoaram o MEC Livros
Acho que o MEC Livros vai entrar pra lista de políticas públicas que poderiam moldar o futuro do Brasil, mas foram brecadas/mutiladas pelas forças do atraso (ao lado de membros ilustres como o Fome Zero e os Pontos de Cultura).
Nas suas primeiras versões, a aplicação permitia acessar por prazos determinados um acervo enorme de livros recentes, completos. De obras clássicas da literatura aos principais hypes do mercado literário contemporâneo. Tudo de graça, com o único limite de um livro por vez a cada 14 dias.
Porém na atualização recente o acesso aos livros foi restringido. Apenas algumas edições de autores nacionais em domínio público estão disponíveis na íntegra. Todas as obras com direitos autorais estão disponíveis apenas parcialmente, para “experimentar”. O que poderia ser uma biblioteca digital pública se tornou um catálogo virtual para as editoras.
Não sei o motivo de uma mudança tão profunda, mas posso suspeitar que tem as impressões digitais do lobby editorial. Se for o caso, demonstra o horizonte de visão estreito das editoras. Para haver consumidores de livros, é preciso que haja leitores.
O MEC Livros ainda tem seu valor. Da minha parte, acho excelente ter a plataforma pra ler os clássicos brasileiros mesmo. Mas acho difícil que assim ela consiga cumprir o objetivo de atrair novos leitores.
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